Na última segunda-feira o Ríver Atlético Clube conseguiu ascender no futebol brasileiro. Subiu para a série C. Foram anos de tentativas e tentativas. Com diversos erros de contratação seja de treinadores ou de jogadores. Erros também de planejamento. Chegou-se até pedir indicação de jogadores quando o Flávio Araújo ainda estava no Sampaio. Mas de tanto tentar deu certo.
Por aqui passaram o treinador Evair, que trouxe na bagagem os meias Esquerdinha, Tiago Dias, o zagueiro Bruno Lopes, os volantes Cássio e Amarildo. Outros jogadores permaneceram de outras jornadas como o meia Tiago Marabá e o goleiro Robson. A diretoria indicou os zagueiros Rafael e Índio.
Com esta relação de jogadores e outros o Ríver começou um trabalho de manter jogadores de uma temporada para outra. Alguns foram dispensados e outros contratados. Depois do Evair, veio o Josué Teixeira que trabalhou a continuidade das indicações do Evair. Josué foi campeão piauiense de 2014 e começou o trabalho para a série D. Não vingou. Dispensado, foi para o o Macaé de onde sagrou-se campeão em 2014 da série C.
Veio o treinador Flávio Barros. Indicou o voltante Rogério. Não conseguir subir o Ríver. Veio o outro Flávio, desta vez o Araújo. Manteve alguns do ano anterior e indicou outros jogadores para a temporada de 2015 (estadual, Copa do NE e série D). As indicações foram os bons zagueiros Paulo Paraíba e Jadson. Vieram também o atacante Codó e os meias Júnior Xuxa, Carlinhos e Léo Olinda além dos goleiros Naylson e Dalton. Mas o principal trabalho foi manter a base assim como fez o Sampaio Correa.
Os atacante Eduardo, Fabinho e Rafael Freitas foram indicações do Clube sendo que os últimos dois em 2015. O certo é que aos poucos o Ríver foi contratando e dispensando aqueles jogadores que não apresentavam um rendimento compatível com as exigências das competições. Mas o meio de campo foi mantido. Para o futuro, a forma de trabalhar não pode mudar, permanecendo ou não no clube o treinador Flávio Araújo.
Quem assistiu as duas partidas do clube do Piauí contra a Lajeadense viu a necessidade de ter no elenco jogadores de boa altura e fortes. Na goleada de 3 a 0 que o clube sofreu em Teresina é bem provável que o calor tenha atrapalhado um pouco o desempenho da equipe gaúcha, que precisou jogar em casa no desespero. E qualquer equipe jogando no desespero tem a tendência de não conseguir os objetivos.
Aquele time do Lajeadense é uma equipe difícil. Perdeu a sua classificação na partida de Teresina. No último minuto o zagueiro Índio salvou um gol de cima da linha que poderia ter complicada a vida do Ríver. Mas serviu para mostrar que o planejamento das contratações tem que passar por critérios técnicos e físicos como altura e força. Melhorar a qualidade.
Naquela batalha de Lajeado o Ríver foi uma única vez ao ataque. Exatamente quando fez o gol. É muito pouco para um time que pretende ser o campeão da quarta divisão. A defesa de Lajeado parecia tomar doce de criança. Fabinho e Eduardo não conseguiam segurar por muito tempo a bola no ataque. Qual time de futebol consegue sobreviver numa partida sem tomar gol se não há uma ajuda contundente lá na frente? E não venham dizer que esta era a proposta de Flávio Araújo. Não era. Era devida a limitação física do ataque tricolor do Piauí e até técnica. Tanto que na primeira fase foi um sofrimento. Poucos gols.
Essa partida contra a Lajeadense mostrou também que a defesa dá muito susto no torcedor apesar de ser a segunda menos vazada da competição. Mas como? Simples. Vários adversários do Ríver não conseguiram emplacar gols. Não foram competentes. Não vimos as partidas jogadas fora de casa até porque não havia transmissão de tv. Mas vimos os melhores momentos pela tv. Dentro do Albertão eram vistos diversos vacilos clamorosos. Tanto é que grande parte da torcida só veio acreditar na equipe depois da eliminação do Estanciano (3 a 0 para o Ríver). Foi o maior placar desde o início da competição.
Na volta em Lajeado, o time da casa perdeu um gol debaixo da trave. Por duas vezes nas costas do lateral Jadson, o atacante adversário entrou na cara do gol. Numa delas o bom goleiro Naylso salvou. Então em muitos casos contamos com a sorte inclusive no finalzinho em Teresina contra a Lajeadense. Mas tem um ditado que diz que time que quer ser vencedor tem que ter sorte. O Ríver teve. E tomara que continue tendo contra o Ypiranga, que é a defesa menos vazada da competição. A nossa curiosidade é ver como o ataque do Ríver irá se comportar diante das torres gaúchas. No Albertão até já sabemos. Velocidade e velocidade. E lá em Erechim?
O Ríver subiu mas não pode fechar os olhos para diversas situações que precisam ser melhoradas. Principalmente a qualidade técnica. Que fique claro que é uma equipe ainda limitada embora aguerrida. Achamos até que o Lajeadense era mais time. As dificuldades da série C serão outras e não sabemos se iremos contar com a mesma sorte que tivemos nesta série D. Esta mesma reflexão que fizemos aqui, parte da imprensa do Pará também a fez de forma franca, afinal eles sabem muito bem o que dizem pois convivem há mais tempo com qualidade, com um time na série B, que é o Paysandu, podendo subir para a série A. Nós do PI ainda estamos engatinhando. Então não podemos fechar os olhos para as deficiências.