sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O Piauí e o eterno atraso. Veja quem banca este atraso. Fica tudo debaixo do tapete...

Faltando menos de dez meses para as Eleições 2014, dois pré-candidatos a governador estão com seus nomes colocados para uma disputa que promete ser acirrada no Piauí: o do senador Wellington Dias (PT) e o do deputado federal Marcelo Castro (PMDB).
W.Dias já vinha sendo colocado como candidato desde 2010, quando deixou o Governo do Estado e foi eleito senador. Muitos petistas falavam que ele deveria ter a oportunidade de um terceiro mandato. Marcelo surgiu nos últimos dias como a opção 'menos ruim' do bloco do hoje governador Wilson Martins (PSB).
Mas, como em toda eleição, o espaço que cada um desses candidatos terá nas TVs locais é de extrema importância. E aqui não está se tratando de propaganda eleitoral não. São as entrevistas e participações nos principais programas das grandes emissoras locais. Quem tem mais espaço nas TVs Clube, Cidade Verde, Meio Norte e Antena 10: W.Dias ou Marcelo?!
TV CLUBE
A afiliada da Rede Globo, comandada por Segisnando Alencar, talvez seja a mais ‘sem lado’ possível. Não que os executivos não tenham seu lado, mas por ser uma emissora, digamos, ‘engessada’: não passa da mesmice e ainda segue o ‘padrão Globo’. Ou seja: A TV Clube tem que seguir as regras dentro de uma cartilha já pré-definida. Globo é Globo... Termina ficando limitada.
TV Clube: nem muito Marcelo e nem muito Wellington DiasTV Clube: nem muito Marcelo e nem muito Wellington Dias
TV CIDADE VERDE
Do empresário Jesus Tajra Filho e afiliada ao SBT, a TV Cidade Verde tem seu lado. E favorável a W.Dias. O senador, quando governador, foi bastante generoso com os Tajra da CV, no que diz respeito à publicidade e propaganda do Governo do Estado. Para retribuir, a emissora atende alguns pedidos petistas de vez em quando. Perfeitamente natural.
W.Dias nos estúdios da TV Cidade Verde: preferido de Jesus Tajra FilhoW.Dias nos estúdios da TV Cidade Verde: preferido de Jesus Tajra Filho
TV MEIO NORTE
Essa não esconde de ninguém: é Wellington Dias até a alma! O empresário Paulo Guimarães tornou-se amigo pessoal do senador. Não é raro de se ver, quando PG está no Brasil (ele mora nos EUA), W.Dias entrar na TV Meio Norte e sair depois de longas horas de reunião. Quase todos os projetos lançados pela MN foram abraçados pela CCOM nos tempos de W.Dias. Não tem como não querer a volta do petista para o Governo do Estado.
W.Dias nos estúdios da TV Meio Norte: virou amigo pessoal de Paulo GuimarãesW.Dias nos estúdios da TV Meio Norte: virou amigo pessoal de Paulo Guimarães
TV ANTENA 10
A emissora que mais cresceu nos últimos anos não tem uma ligação tão forte assim com nenhum dos dois, mas se for para ter seu lado, é o de Wellington Dias. Comandada hoje pelo herdeiro Cláudio Tajra, a Antena 10 não deixaria de apoiar um político que já foi governador e que, de certa forma, contribuiu bem mais que um deputado federal como Marcelo Castro durante o tempo em que permaneceu no poder.
W.Dias nos estúdios da TV Antena 10: Cláudio Tajra prefere quem já foi governador e ajudouW.Dias nos estúdios da TV Antena 10: Cláudio Tajra prefere quem já foi governador e ajudou
PATRÕES VERSUS JORNALISTAS
Pelo que se vê, deu 3 a 0, já que a TV Clube não conta, a favor de Wellington Dias. Mas não se engane com esse placar. Quem pensa assim são os donos. Afinal, W.Dias, quando quer algo, trata é com os ‘patrões’. E é justamente por isso que os jornalistas dos veículos destes mesmos patrões não querem o senador petista. Os de campo, que fazem o jornalismo político cheio de pimenta em seu conteúdo, não gostam porque W.Dias usa sempre do poder para chegar num patrão e ‘pedir’ que matéria que seja desfavorável a ele seja abortada. Esse é o tipo de situação que mais incomoda um jornalista.
Marcelo Castro seria o preferido dos jornalistas. Não o dos patrõesMarcelo Castro seria o preferido dos jornalistas. Não o dos patrões
MARCELO NEM ASSESSOR DE IMPRENSA TEM
Talvez os jornalistas prefiram Marcelo Castro por ser mais simpático, mas não que seja o queridinho da imprensa. Diferente de W.Dias, pelo menos Marcelo não sai pedindo para patrão tirar reportagem de sua emissora. Não na mesma proporção. Marcelo conversa, sorri e lida com o próprio jornalista. De igual para igual. Demonstra empatia e ganha pontos. Mas tem um detalhe: só quando quer! As vezes está e Brasília (DF) e nenhum dos seus telefones está no ar. Isso as vezes dificulta o contato. Para se ter uma ideia, Marcelo Castro nem assessor de imprensa oficial tem. Seu filho, Dario, que é publicitário, é quem dá uma força de vez em quando. Fontes garantem: assim que engrenar como candidato realmente, a estratégia será outra.
Publicado Por: Allisson Paixão/180graus.com

Obs. O que estas tvs  têm de interessante? Nada, principalmente aqueles programas do meio-dia. Pura porcaria. 

Há intercâmbio entre a violência que está acontecendo em São Luís e os constantes assaltos e arrastões em Teresina. São apenas 400 e poucos quilômetros. E qual a estratégia do governo do Estado do Piauí. Alguém sabe?

10/01/2014
 às 5:31

A incrível, a estonteante, a espantosa entrevista concedida por Roseana Sarney ao lado de Cardozo, o silencioso! Ou: Segundo governadora, o Maranhão está mais violento porque está mais rico

Santo Deus! Chega a ser difícil saber por onde começar. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o Garboso, foi nesta quinta ao Maranhão. O homem normalmente falastrão e buliçoso quando se trata de depredar a reputação de governos de oposição manteve o silêncio que o notabilizou diante da carnificina maranhense. A razão é simples. O PT foi vice na chapa que elegeu Roseana Sarney. Seu pai, o senador José Sarney (AP), tem influência decisiva em fatia considerável do PMDB. E Dilma não quer confusão com essa gente. Por isso a presidente também está calada. Nem mesmo uma miserável manifestação de solidariedade com a família da menina Ana Clara. Nada! O ministro e a governadora anunciaram um pacote de medidas. Numa impressionante, estarrecedora, estupefaciente entrevista coletiva, Roseana fez jus ao clichê segundo o qual quem sai aos seus não degenera. Li as coisas que ela disse, olhei bem para a foto acima e tive de voltar no tempo — 360 anos para ser mais preciso.
Trezentos e sessenta anos? É. Voltei ao “Sermão da Quinta Dominga da Quaresma”, pronunciado por Padre Vieira em São Luís no ano de 1654. Escreveu o padre:
“Os vícios da língua são tantos, que fez Drexélio um abecedário inteiro e muito copioso deles. E se as letras deste abecedário se repartissem pelos estados de Portugal, que letra tocaria ao nosso Maranhão? Não há dúvida, que o M. M-Maranhão, M-murmurar, M-motejar, M-maldizer, M-malsinar, M-mexericar, e, sobretudo, M-mentir: mentir com as palavras, mentir com as obras, mentir com os pensamentos, que de todos e por todos os modos aqui se mente.”
Mais adiante, referindo-se à instabilidade do tempo e às chuvas repentinas, Vieira afirmou:
“De maneira que o sol, que em toda a parte é a regra certa e infalível por onde se medem os tempos, os lugares, as alturas, em chegando à terra do Maranhão, até ele mente. E terra onde até o sol mente, vede que verdade falarão aqueles sobre cujas cabeças e corações ele influi.”
Vieira, como é sabido, protegia os pequenos e os pobres em suas invectivas, voltadas invariavelmente contra os poderosos do seu tempo — e justamente os instalados no Maranhão, base de sua atuação jesuítica.
Roseana estava mesmo com a Família Sarney no corpo. Ela encontrou uma curiosa explicação para o recrudescimento da violência no estado — o que me ajudou a entender a atuação do clã nos últimos 50 anos:
“O Maranhão está atraindo empresas e investimentos. Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico, o que aumenta o número de habitantes”.
Agora entendi o que, a esta altura, a gente poderia considerar um esforço determinado, consciente e, sem dúvida, bem-sucedido dos Sarneys em favor do atraso. Antes, os maranhenses eram pobres, pacíficos e felizes. Aí, sabem como é, foi chegando o progresso e… piorou tudo! Notem que a fala da governadora traz a sugestão de que a violência vem de fora, não é coisa dos maranhenses — o “aumento do número de habitantes” só pode se referir aos forasteiros… Outro trecho de sua fala reforça esse especioso ponto de vista:
“O que aconteceu me chocou, e a todo o Maranhão, porque o povo do Maranhão não é violento. O que aconteceu lá é algo inexplicável. Estou até agora chocada com o que aconteceu lá, porque o que existe são brigas de facções. E elas são muito violentas. Acaba havendo problemas de morte no presídio.”
Roseana também disse, sabe-se lá por quê, ter sido “pega de surpresa”. É mesmo? Aí vem um trecho de sua fala que teria emudecido até Padre Vieira, aquele que não se calou nem diante do Tribunal do Santo Ofício:
“Até setembro, Pedrinhas tinha constatado 39 mortes. Em 2012, tinha 4 mortes. Então, até setembro, 39 estava dentro do que era o limite que se esperava. Em setembro teve a destruição da Cadet [Casa de Detenção] e lá tiveram (sic) mais mortes. Tivemos de tomar providência. Isso não significa que não tomamos providências antes.”
José Eduardo Cardozo, aquele que gosta de conceder entrevistas esculhambando a segurança pública de estados governados pela oposição, ouvia a tudo, em silêncio, com olhar pensativo. Vamos entender direito o que falou esta senhora.
Há mais de 550 mil presos no Brasil. No ano passado, 218 foram assassinados. Dos 550 mil, sabem quantos estão no Maranhão? Pouco mais de 5 mil — 5.417 em 2012. Digamos que os assassinatos tivessem parado nos 39 — o número que a governadora considera “o limite que se esperava”: fosse assim, com menos de 1% dos presos, o Maranhão já responderia por 17,8% da mortes. E Roseana consideraria tudo dentro de certo padrão de normalidade. Acontece que a coisa não parou nos 39, não. Chegou a 62 — menos de 1% dos presos e mais de 28% dos mortos. E ela, coitada, sem entender nada porque, afinal, a índole do povo maranhense é mesmo pacífica…
Roseana está surpresa? Numa rebelião em Pedrinhas, em 2011, ao menos 14 presos foram decapitados. Só não houve comoção e pressão, inclusive de organismos internacionais, porque imagens da tragédia não vieram a público.
Endossando um discurso engrolado também por José Eduardo Cardozo, a governadora afirmou: “É uma disputa praticamente por causa do crack, que tem uma força muito grande, uma disputa de espaço. O que aconteceu em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul não é diferente do que está acontecendo aqui.”
Com a devida vênia, governadora, sou obrigado a dizer: “Uma ova!”. Com 41 milhões de habitantes, São Paulo mantém presas 195.695 pessoas — 36% do total nacional, embora abrigue apenas 22% da população. O Maranhão, onde moram 3,5% dos brasileiros, tem menos de 1% dos presos, mas responde por mais de 28% dos assassinatos nas prisões. Há, em São Paulo, 633,1 presos por 100 mil habitantes com mais de 18 anos; no Maranhão, apenas 128,5. Para que a proporção fosse a mesma, seria preciso multiplicar por 5 os presos no estado governado por Roseana. Se, com pouco mais de 5.400 presos, assistimos a esse descalabro, imaginem com 27 mil…
Ah, sim: Roseana e Cardozo anunciaram a criação de um comitê gestor de crises juntando várias autoridades, remoção de detentos para presídios federais, aumento do efetivo da Força Nacional de Segurança, aumento dos mutirões carcerários… De fato, nada no curto prazo.
Intervenção
A Procuradoria-Geral da República anunciou que vai pedir a intervenção federal no Maranhão. Ainda que peça, não terá. O STF é arredio a esse tipo de procedimento — e, se querem saber, seria realmente algo muito difícil de administrar. É bem verdade que, ao ler as intervenções de Roseana, sou tomado, assim, de um espírito verdadeiramente… interventor. Mas sei que não ocorrerá.
Ficou brava
A governadora ficou brava com uma pergunta, bastante procedente, que a reportagem da Folha fez a Cardozo. A jornalista quis saber se o silêncio da presidente Dilma estava relacionado com a aliança política do PT e do Planalto com o PMDB e a família Sarney. Roseana nem esperou a resposta do ministro:
“Olha, a família, só um minuto, ministro. Quero dizer uma coisa a vocês: isso não existe como família. Eu sou a governadora, eu sou Roseana Sarney. Meu sobrenome é Sarney. Mas eu sou uma pessoa que tenho passado, presente e, se Deus quiser, terei futuro. Isso não é a família. E quem está mandando aqui não é a família. Quem está no governo sou eu, que fui eleita em primeiro turno pelo povo maranhense. Assim como representei o Maranhão no Congresso Nacional. Fui deputada e senadora. Então, vocês querem o quê? Querem penalizar a família? Não. Se vocês tiverem de penalizar alguém, eu, Roseana, governadora do Maranhão, sou a responsável pelo que acontecer no nosso Estado. Muito obrigada”.
Foi aplaudida entusiasticamente. Pelos assessores…
Faço o quê? Tenho de voltar a Padre Vieira:
“E terra onde até o sol mente, vede que verdade falarão aqueles sobre cujas cabeças e corações ele influi.”
Texto publicado originalmente às 3h27
Por Reinaldo Azevedo

Obs. O Piauí também tem o dedo dos Sarneys. Inclusive tem um busto dele numa emissora de TV de Teresina,  além de supermercados, empresa de ônibus. Em relação às drogas, elas nunca estiveram tão vivas na periferia da capital,  de todo o estado.  Quanto se diz que há intercâmbio entre a violência de PI e Ma, basta ler nos noticiários  a quantidade de bandidos maranhenses presos no PI e deste Estado preso no Maranhão.