quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Veja quem patrocina a crise na economia mundial

Quando o mundo ainda tenta se recuperar da crise econômica americana de 2008, sobrevêm a crise européia. Apesar de não parecer, são faces de uma mesma moeda, pois, tem como partícipe o Sistema Financeiro Internacional.

O capitalismo como conhecemos tem duas vertentes bem distintas, uma derivada do princípio do livre mercado, do laissez-faire, desenhada no clássico livro “ A riqueza das Nações” de Adam Smith, onde defende que “a mão invisível do mercado” é suficiente para reger a economia e que, portanto, o Estado não deve interferir. Esta visão teve ao longo da história muitos adeptos como Heber Hoover, Bachelier, Hayek, Walras, Eugene Fama e mais recentemente Milton Friedman, através dos livros Capitalism and Freedon(1962) e Free to Choosse(1980). De outro lado temos a visão Keynesiana, que defende a regulação do mercado pelo Estado de forma a conter os excessos, bem como a ação governamental com medidas que estimulem a economia. Seu criador foi John Maynard Keynes, tendo como defensor entre outros Joseph Stinglitz( prêmio nobel de economia de 2001).

Após a crise econômica mundial de 1930 evidenciou-se quão falha era a teoria do livre mercado, e os governos adotaram várias medidas de controle do mercado financeiro. Ocorre que desde o inicio da década de 70, muitos se esqueceram das lições do passado e deram vozes a Milton Friedman, Alan Grespean e outros adeptos da desregulação do mercado.

A crise de 2008 e a atual crise européia não são, senão, conseqüências desta desregulação por parte dos governos e a inecrupulosidade dos maus banqueiros e especuladores que integram o sistema financeiro internacional. Exemplo disto foi a “bolha” imobiliária americana decorrente da irresponsabilidade de concessão de crédito para financiamento de imóveis a quem não podia pagar, fundada em hipotecas fraudulentas e mal secutirizadas com anuência das agencias de risco e do governo americano. Pior ainda, foi a atitude deste governo, quando estourou a crise, pois “ se recusou a ajudar os proprietários de imóveis, recusou-se a ajudar os desempregados e recusou-se a estimular a economia por meio de medidas normais(aumento de gastos governamentais, redução de impostos). O governo se concentrou em jogar dinheiro nos bancos. Socializa-se os prejuízos e privatiza-se os lucros”(Stinglitz).

Há assim, uma verdadeira promiscuidade entre governantes e o sistema financeiro mundial (banqueiros, especuladores, agências de classificação de risco) em prejuízo do cidadão. O Estado deixou de visar o bem estar social para submeter-se ao mercado financeiro.

O pior é que nada foi feito pelos governos para reestruturar o sistema financeiro internacional e a bola da vez agora é a Europa, que se encontra fragilizada pelos problemas decorrentes da criação do Euro, tornando-se um prato cheio para os especuladores de plantão. Afinal, quando da criação da Comunidade Européia, não se levou em conta as diferenças culturais e históricas entre as nações, foi uma união somente pela moeda, e mesmo assim, fechou-se os olhos para a diferença do tamanho das economias envolvidas. Os paises menores e mais sujeitos aos efeitos de uma crise econômica perderam duas importantes ferramentas de combate, quais sejam, a política monetária(taxa de juros) e a moeda(câmbio).

A Grécia foi a primeira vítima. Vejamos o que diz, novamente, Joseph Stingltz: “ A experiência da Grécia em 2010, quando o país foi atacado pelos mercados financeiros, foi similar à de muitos países em desenvolvimento.A surpresa está em que desta vez ela ocorreu em um país industrialmente avançado. O setor financeiro, que foi salvo pela ação dos governos em todo o mundo, inclusive na Grécia, voltou-se contra os que o haviam criado”. Neste mesmo sentido temos: À mercê dos bancos que resgataram à custa de seu endividamento, os governos perderam a capacidade de mediar entre os direitos do cidadão e as exigências da acumulação do capital e são reduzidos a agências de cobrança de uma oligarquia global de investidores...(Wolfgang Streeck, Diretor do Instituto Max Plack).

A verdade é que a “ a liderança do mundo ocidental passou para o mercado financeiro. Na última reunião do G20 em Cöte D’ Azul, Cannes, os patrocinadores eram mais importantes que os 20(vinte) lideres mundiais”(Bernard Cassen, economista francês).

Em sendo, assim, o destino do mundo está entregue à seu verdadeiro dono, qual seja, o Sistema Financeiro Internacional.
José Ferraz Nunes Sobrinho - www.olhar-objetivo.com

domingo, 26 de agosto de 2012

Descriminalização das DROGAS é para legalizar o consumo de quem está tentando emplacar a Lei

O papel de quem defende a descriminalização das DROGAS:
“Eu quero consumir o que bem entender; quem tem de reprimir o tráfico é a polícia; o meu papel é dar dinheiro para os traficantes”.


A farsa sobre a descriminação do consumo de drogas — que é, na verdade, uma legalização disfarçada — prossegue. O Jornal Nacional trouxe ontem reportagem sobre a entrega da proposta à Câmara dos Deputados. O antropólogo Rubem Cesar Fernandes, chefão da ONG Viva Rio, que trata o Brasil de 8 milhões de quilômetros quadrados como se fosse os 500 metros do Posto 9, em Ipanema — onde o fumo e oceano se estreitam num abraço insano, como dirá o poeta —, foi o porta-voz da turma. Volto a este pensador daqui a pouco. Quero antes tratar de uma outra coisa, que tem a sua graça.
reportagem do Jornal Nacional começou com uma correção. Reproduzo o trecho inicial, lido pelo próprio jornalista-apresentador. Prestem atenção!
“Na quarta-feira passada (22), o Jornal Nacional mostrou uma proposta para mudança no tratamento legal dado aos usuários de drogas. Na reportagem, havia um erro ao afirmar que a lei atualmente em vigor prevê a pena de prisão para usuários flagrados com entorpecentes para uso pessoal. Nesses casos, eles respondem a processo por porte de drogas, mas não são presos. Em dois meses, a proposta, que está em consulta pública, pode virar um projeto de lei.
Pois é. Quem fez a reportagem daquele dia não deve ter lido a Lei 11.343,conhecida como lei antidrogas. Já reproduzi trechos aqui várias vezes. A pessoa no JN que redigiu ontem o trecho que vai acima pode, de novo, não ter consultado o Artigo 28, a saber:
Art. 28.  Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:
I – advertência sobre os efeitos das drogas;
II – prestação de serviços à comunidade;
III – medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
§ 1o  Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica.
§ 2o  Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
§ 3o  As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses.
§ 4o  Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.
§ 5o  A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas.
§ 6o  Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a:
I – admoestação verbal;
II – multa.
§ 7o  O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado.
VolteiÀ diferença do que afirma o Jornal Nacional, portanto, NÃO É VERDADE QUE O USUÁRIO RESPONDA NECESSARIAMENTE A PROCESSO. Tudo pode se esgotar — e, com frequência, é o que acontece — numa admoestação verbal. Agora vamos ver o que disse o Rubem Cesar Fernandes, da ONG Viva, o Posto 9, ao mesmo JN:
“Criminalizar não é legalizar. Continua proibido, mas não é crime. Passa a ser uma infração a ser tratada por outros setores que não a polícia e deixa a polícia trabalhar no crime organizado, no grande problema”.
Huuummm…
Ele fala em “outras setores que não a polícia”. Vejam lá o que dispõe o parágrafo 7º da lei. O juiz determinará que o Poder Público coloque à disposição do infrator tratamento de saúde!!! Ora, “saúde” não é polícia.
Por que o jornalismo, com raras exceções, comete esses erros e omissões quando o assunto é droga? Porque tem simpatia pela tese, e aí a objetividade acaba indo para o vinagre, em prejuízo do telespectador, do leitor, do internauta… Essa Lei é de 2006. Desde esse ano já não se prende mais o simples usuário de drogas. ENTÃO O QUE QUEREM RUBEM CESAR FERNANDES E SEUS BRAVOS MILITANTES? Eles vão ficar bravos com a minha síntese, mas eu demonstro o que digo: ELES QUEREM É DESCRIMINAR O PEQUENO TRÁFICO, O QUE, NA PRÁTICA, SIGNIFICA, DESCRIMINAR O TRÁFICO EM SI E, POIS, LEGALIZAR AS DROGAS.
ExplicandoA reportagem do Jornal Nacional informa: “A posse de entorpecentes para uso pessoal deixaria de ser crime para ser considerada infração administrativa. As quantidades para consumo pessoal seriam definidas pelo governo”. Eis o ponto. O que Fernandes e sua turma pretendem é tirar do juiz a arbitragem sobre o que é e o que não tráfico. No texto publicado na manhã de ontem, já demonstrei por que isso é uma estupidez. Definida a quantidade, os traficantes se adaptariam a ela e multiplicariam os seus agentes, que passariam a transportar apenas o “permitido”. Aqueles juristas aloprados que fizeram propostas de reforma do Código Penal sugerem que o suficiente para cinco dias de consumo não seria tráfico… Entendi: os policiais passariam a andar munidos de instrumentos de precisão para pesar as trouxinhas de maconha, o pó etc. É ridículo!
100 mil assinaturas e que moral e que ética tem essa gente?A proposta, informa-se, já tem pouco mais de 100 mil assinaturas. Quem será que anda assinando isso? Viciados que querem se livrar da dependência química certamente não são. Estes já se deram conta da burrada que fizeram. Seriam os consumidores recreativos? Não sei!
Cada um assine o que quiser, mas me reservo o direito de chamar essa gente de cara de pau. Olhem aqui: consigo respeitar mais — embora também despreze — o padrão intelectual de quem defende a legalização pra valer (de consumo e venda) do que aqueles que vêm com essa conversa torta, essencialmente amoral, essencialmente aética, de descriminar totalmente o consumo, mas manter proibido o tráfico. Sabem por quê?
Porque, reitero, essa não é uma militância do usuário que quer se livrar da droga — e, pois, busca atendimento de saúde. Essa é uma militância de quem defende o próprio vício ou de quem é consumidor recreativo das substâncias ilícitas. Ora, ao se defender o consumo descriminado, mas a repressão ao tráfico, o que se está fazendo é defender uma prática que alimenta o crime organizado. “Exijo o meu direito de cheirar este troço, de fumar esta merda, embora eu saiba que isso mata crianças e jovens, destrói famílias, alimenta o ciclo da violência”. Quem defende a legalização plena tem ao menos a ilusão de que, tudo liberado, “adeus, violência”. É um pensamento tonto, mas, ao menos, não é mau caratismo inteletual.
A estupidez não para por aí, não! Quem acha que o consumo tem de ser liberado, mas o tráfico reprimido, está a dizer o seguinte — e essa a essência da fala de Rubem Cesar Fernandes: “Eu quero consumir o que bem entender; quem tem de reprimir o tráfico é a polícia; o meu papel é dar dinheiro para os traficantes”.
A propósito: doutor Rubem não quer a polícia metida com “consumidores”. Entendi. Se alguns vagabundos começarem a puxar fumo perto das escolas, os pais cariocas devem ligar para a ONG Viva Rio e pedir para falar com Fernandes. Ou, então, para a Fundação Oswaldo Cruz e chamar o doutor Paulo Gadelha.
EncerrandoQue os senhores congressistas não se intimidem com a suposta popularidade dessa proposta. Ainda que ela venha a obter um milhão de assinaturas, isso representará 0,5% do povo brasileiro e 0,75% dos pouco mais de 134 milhões de eleitores.
É claro que os eleitores cobrarão de vocês, senhores parlamentares, o que tem de ser cobrado. Eu mesmo estou entre aqueles que se encarregarão de fazer com que os brasileiros jamais se esqueçam dos defensores dessa proposta, seja ela aprovada ou recusada.
PS – Ainda voltarei à ONG Viva Rio para demonstrar que ela andou se metendo com gente e com um tipo de droga até mais perigosa do que essas cujo consumo quer descriminar.
Por Reinaldo Azevedo

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