Quando o mundo ainda tenta se recuperar da crise econômica americana de 2008, sobrevêm a crise européia. Apesar de não parecer, são faces de uma mesma moeda, pois, tem como partícipe o Sistema Financeiro Internacional.
O capitalismo como conhecemos tem duas vertentes bem distintas, uma derivada do princípio do livre mercado, do laissez-faire, desenhada no clássico livro “ A riqueza das Nações” de Adam Smith, onde defende que “a mão invisível do mercado” é suficiente para reger a economia e que, portanto, o Estado não deve interferir. Esta visão teve ao longo da história muitos adeptos como Heber Hoover, Bachelier, Hayek, Walras, Eugene Fama e mais recentemente Milton Friedman, através dos livros Capitalism and Freedon(1962) e Free to Choosse(1980). De outro lado temos a visão Keynesiana, que defende a regulação do mercado pelo Estado de forma a conter os excessos, bem como a ação governamental com medidas que estimulem a economia. Seu criador foi John Maynard Keynes, tendo como defensor entre outros Joseph Stinglitz( prêmio nobel de economia de 2001).
Após a crise econômica mundial de 1930 evidenciou-se quão falha era a teoria do livre mercado, e os governos adotaram várias medidas de controle do mercado financeiro. Ocorre que desde o inicio da década de 70, muitos se esqueceram das lições do passado e deram vozes a Milton Friedman, Alan Grespean e outros adeptos da desregulação do mercado.
A crise de 2008 e a atual crise européia não são, senão, conseqüências desta desregulação por parte dos governos e a inecrupulosidade dos maus banqueiros e especuladores que integram o sistema financeiro internacional. Exemplo disto foi a “bolha” imobiliária americana decorrente da irresponsabilidade de concessão de crédito para financiamento de imóveis a quem não podia pagar, fundada em hipotecas fraudulentas e mal secutirizadas com anuência das agencias de risco e do governo americano. Pior ainda, foi a atitude deste governo, quando estourou a crise, pois “ se recusou a ajudar os proprietários de imóveis, recusou-se a ajudar os desempregados e recusou-se a estimular a economia por meio de medidas normais(aumento de gastos governamentais, redução de impostos). O governo se concentrou em jogar dinheiro nos bancos. Socializa-se os prejuízos e privatiza-se os lucros”(Stinglitz).
Há assim, uma verdadeira promiscuidade entre governantes e o sistema financeiro mundial (banqueiros, especuladores, agências de classificação de risco) em prejuízo do cidadão. O Estado deixou de visar o bem estar social para submeter-se ao mercado financeiro.
O pior é que nada foi feito pelos governos para reestruturar o sistema financeiro internacional e a bola da vez agora é a Europa, que se encontra fragilizada pelos problemas decorrentes da criação do Euro, tornando-se um prato cheio para os especuladores de plantão. Afinal, quando da criação da Comunidade Européia, não se levou em conta as diferenças culturais e históricas entre as nações, foi uma união somente pela moeda, e mesmo assim, fechou-se os olhos para a diferença do tamanho das economias envolvidas. Os paises menores e mais sujeitos aos efeitos de uma crise econômica perderam duas importantes ferramentas de combate, quais sejam, a política monetária(taxa de juros) e a moeda(câmbio).
A Grécia foi a primeira vítima. Vejamos o que diz, novamente, Joseph Stingltz: “ A experiência da Grécia em 2010, quando o país foi atacado pelos mercados financeiros, foi similar à de muitos países em desenvolvimento.A surpresa está em que desta vez ela ocorreu em um país industrialmente avançado. O setor financeiro, que foi salvo pela ação dos governos em todo o mundo, inclusive na Grécia, voltou-se contra os que o haviam criado”. Neste mesmo sentido temos: À mercê dos bancos que resgataram à custa de seu endividamento, os governos perderam a capacidade de mediar entre os direitos do cidadão e as exigências da acumulação do capital e são reduzidos a agências de cobrança de uma oligarquia global de investidores...(Wolfgang Streeck, Diretor do Instituto Max Plack).
A verdade é que a “ a liderança do mundo ocidental passou para o mercado financeiro. Na última reunião do G20 em Cöte D’ Azul, Cannes, os patrocinadores eram mais importantes que os 20(vinte) lideres mundiais”(Bernard Cassen, economista francês).
Em sendo, assim, o destino do mundo está entregue à seu verdadeiro dono, qual seja, o Sistema Financeiro Internacional.
José Ferraz Nunes Sobrinho - www.olhar-objetivo.com
O capitalismo como conhecemos tem duas vertentes bem distintas, uma derivada do princípio do livre mercado, do laissez-faire, desenhada no clássico livro “ A riqueza das Nações” de Adam Smith, onde defende que “a mão invisível do mercado” é suficiente para reger a economia e que, portanto, o Estado não deve interferir. Esta visão teve ao longo da história muitos adeptos como Heber Hoover, Bachelier, Hayek, Walras, Eugene Fama e mais recentemente Milton Friedman, através dos livros Capitalism and Freedon(1962) e Free to Choosse(1980). De outro lado temos a visão Keynesiana, que defende a regulação do mercado pelo Estado de forma a conter os excessos, bem como a ação governamental com medidas que estimulem a economia. Seu criador foi John Maynard Keynes, tendo como defensor entre outros Joseph Stinglitz( prêmio nobel de economia de 2001).
Após a crise econômica mundial de 1930 evidenciou-se quão falha era a teoria do livre mercado, e os governos adotaram várias medidas de controle do mercado financeiro. Ocorre que desde o inicio da década de 70, muitos se esqueceram das lições do passado e deram vozes a Milton Friedman, Alan Grespean e outros adeptos da desregulação do mercado.
A crise de 2008 e a atual crise européia não são, senão, conseqüências desta desregulação por parte dos governos e a inecrupulosidade dos maus banqueiros e especuladores que integram o sistema financeiro internacional. Exemplo disto foi a “bolha” imobiliária americana decorrente da irresponsabilidade de concessão de crédito para financiamento de imóveis a quem não podia pagar, fundada em hipotecas fraudulentas e mal secutirizadas com anuência das agencias de risco e do governo americano. Pior ainda, foi a atitude deste governo, quando estourou a crise, pois “ se recusou a ajudar os proprietários de imóveis, recusou-se a ajudar os desempregados e recusou-se a estimular a economia por meio de medidas normais(aumento de gastos governamentais, redução de impostos). O governo se concentrou em jogar dinheiro nos bancos. Socializa-se os prejuízos e privatiza-se os lucros”(Stinglitz).
Há assim, uma verdadeira promiscuidade entre governantes e o sistema financeiro mundial (banqueiros, especuladores, agências de classificação de risco) em prejuízo do cidadão. O Estado deixou de visar o bem estar social para submeter-se ao mercado financeiro.
O pior é que nada foi feito pelos governos para reestruturar o sistema financeiro internacional e a bola da vez agora é a Europa, que se encontra fragilizada pelos problemas decorrentes da criação do Euro, tornando-se um prato cheio para os especuladores de plantão. Afinal, quando da criação da Comunidade Européia, não se levou em conta as diferenças culturais e históricas entre as nações, foi uma união somente pela moeda, e mesmo assim, fechou-se os olhos para a diferença do tamanho das economias envolvidas. Os paises menores e mais sujeitos aos efeitos de uma crise econômica perderam duas importantes ferramentas de combate, quais sejam, a política monetária(taxa de juros) e a moeda(câmbio).
A Grécia foi a primeira vítima. Vejamos o que diz, novamente, Joseph Stingltz: “ A experiência da Grécia em 2010, quando o país foi atacado pelos mercados financeiros, foi similar à de muitos países em desenvolvimento.A surpresa está em que desta vez ela ocorreu em um país industrialmente avançado. O setor financeiro, que foi salvo pela ação dos governos em todo o mundo, inclusive na Grécia, voltou-se contra os que o haviam criado”. Neste mesmo sentido temos: À mercê dos bancos que resgataram à custa de seu endividamento, os governos perderam a capacidade de mediar entre os direitos do cidadão e as exigências da acumulação do capital e são reduzidos a agências de cobrança de uma oligarquia global de investidores...(Wolfgang Streeck, Diretor do Instituto Max Plack).
A verdade é que a “ a liderança do mundo ocidental passou para o mercado financeiro. Na última reunião do G20 em Cöte D’ Azul, Cannes, os patrocinadores eram mais importantes que os 20(vinte) lideres mundiais”(Bernard Cassen, economista francês).
Em sendo, assim, o destino do mundo está entregue à seu verdadeiro dono, qual seja, o Sistema Financeiro Internacional.