Aqui postaremos informações (texto e multimídia) acerca do futebol no Brasil, principalmente, das regiões Norte e Nordeste. Não deixaremos, no entanto, de postar outros assuntos de interesse social.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Vídeo que pede boicote à Copa
Teresina - Piauí/
Blog criado por torcedores com a finalidade de informar o futebol das regiões Norte e Nordeste. Principalmente o do estado do Piauí
domingo, 23 de junho de 2013
BRASILIENSE PAGA A CONTA DO ESTÁDIO DA FIFA
O custo do Estádio Mané Garrincha já está beirando a R$ 1,6 bilhão se considerados os trabalhos de paisagismo e de urbanização externa. É de longe o mais caro estádio das sedes da Copa do Mundo.
E tudo isso para quê?
Para atender o prazer de sediar um jogo na Copa das Confederações – outras sedes foram agraciadas com dois ou três jogos – e sete outros jogos no Mundial de 2014.
Para cobrir estes gastos, os turistas precisariam deixar na cidade a cada jogo a bagatela de R$ 197,852 milhões. Lembrando, que a receita dos ingressos é da FIFA e não do Governo do Distrito Federal. Inclusive, para agradar amigos do rei, o GDF determinou que o BRB e a Terracap adquirissem um camarote vip e mil ingressos, gastando para isso R$ 1,5 milhão. Note-se, que a compra foi autorizada sem licitação e na condição de "urgência e relevância". Para tanto, o presidente da Terracap nem solicitou autorização prévia do Conselho de Administração da empresa, formado pelo Governo do Distrito Federal e pelo Governo Federal, que tem 49% do controle acionário da empresa.
Inicialmente, ainda no governo Arruda, o custo do estádio foi estimado em cerca de R$ 400 milhões. Em seguida, a estimativa passou pra R$ 500 milhões e depois dobrou para R$ 800. No governo atual de Agnelo, pulou para R$ 1.203.028.253,96. A este valor, devem ser acrescidos mais R$ 379.789.627,36, referentes à urbanização, paisagismo, sistema de comunicação visual e itens de segurança, tais como instalações de corrimãos, guarda corpos, etc. Somatório geral até agora do bate-bola internacional R$ 1.582.817.881,32.
No início desta aventura, o novo estádio seria financiado pelo BNDES que alocou a todas as cidades sedes recursos da grandeza de R$ 400 milhões. Para reduzir os custos dos estádios, a União fez ainda aprovar uma legislação criando o programa Recopa, que desonera a contratação de serviços e a compra de equipamentos de impostos federais como IPI, PIS/Pasep, de importação e Cofins. Ao desonerar o recolhimento de impostos e contribuições federais, o governo federal fez com que a quase totalidade dos municípios brasileiros pagassem parte dos custos do mundial de 2014, já que o Fundo de Participação de Estados e Municípios é constituído a partir das receitas fiscais federais. Também os trabalhadores, beneficiados com programas e ações financiados pela COFINS e PIS/Pasep vão ter que contribuir. A COFINS foi criada para reforçar o caixa da Previdência Social e o PIS/Pasep tem parte de sua receita redistribuída anualmente aos trabalhadores com menores renda.
O GDF decidiu abrir mão do financiamento – dizem alguns críticos que seria para não ficar sob o julgo da fiscalização do Tribunal de Contas da União – e resolveu assumir sozinho a despesa via a Companhia Imobiliária de Brasília – Terracap. Parte da receita que a empresa obtém com a venda de terras em Brasília é destinada a cobrir os gastos do Mané Garrincha. Segundo reportagem do portal UOL o GDF, a Terracap terá que abrir mão de 235.405 metros quadrados de terras públicas urbanas em local valorizado, vendendo-as e fazer receita para quitar a dívida. Este mesmo dinheiro poderia ser bem empregado na Saúde, Educação e Segurança da Capital Federal.
O GDF discorda da leitura do portal UOL e em nota negou que a arena será a mais cara do país, negou que o valor chegará a R$ 1 bilhão e afirmou ser "um grande equívoco" considerar gastos da ordem de R$ 360 milhões em paisagismo e urbanização como custo da obra do Estádio Mané Garrincha – que ele insiste em usar a expressão Estádio Nacional de Brasília -, pois tais iniciativas seriam referentes à revitalização da área central de Brasília.
Quem paga a conta?
A nota do GDF não informa categoricamente qual será o real valor do Estádio segundo as contas da equipe de Agnelo. Alega que só será possível fazer tal cálculo após o término da obra, tudo isso em decorrência de engenharias financeiras vinculadas ao programa Recopa.
Conta daqui, cálculo dacolá, o certo é que o brasiliense já está pagando uma conta alta pela execução deste hiper gigantesco estádio. Ele será maior do que o Itaquerão, em São Paulo, que receberá a abertura da Copa de 2014 e depois será transformado na arena do Corinthians, time brasileiro tido como detentor da maior torcida do país.
Pelo menos R$ 100 milhões do orçamento do Distrito Federal deste ano foram remanejados pela caneta do governador, retirando os já parcos recursos de importantes e sensíveis áreas de Brasília. Os dados foram compilados a partir de diversos atos governamentais publicados no Diário Oficial do Distrito Federal e estão sendo publicizados por integrantes do Movimento em Defesa de Brasília – MovBsb.
Desta forma, se a Copa de 2014 deveria representar melhorias urbanas,em especial de mobilidade para a cidade sede, no caso de Brasília, ela tem representado redução de recursos de áreas sensíveis, inclusive da Educação e da Saúde.
Dos R$ 100 milhões remanejados, R$ 22,077 milhões que deveriam ser utilizados para recuperar as vias públicas da Capital Federal, cheias de buracos, saíram dos cofres da Novacap para custear parte da conclusão das obras do Mané Garrincha.
O brasiliense, que já vivencia os terrores e prejuízos das enchentes, precisa estar ciente de que R$ 1.849.098,00 destinados as obras de recuperação de drenagem pluvial no Plano Piloto e em Taguatinga, bem como R$ 903.845,00 dos serviços de urbanização do Pólo JK, foram lançados agora para cobrir despesas do Mané garrincha. Cada vez que a Asa Norte ficar inundada, o brasiliense poderá reduzir suas angustias pelo orgulho de saber que está contribuindo para a construção de um dos maiores estádios de futebol do Brasil.
A secretária de Transportes teve que abrir a carteira e liberar outros R$ 13,435 milhões, sendo que 82% deste montante eram recursos destinados às obras de implantação do Veículo Leve sobre Pneus – VLP, agora denominado Expresso-DF. Moradores do Gama e do Park Way já comentavam que as obras estavam em um ritmo mais lento. É possível que a explicação da lentidão esteja nesta redução de orçamento.
Mas não foi só o VLP que teve recursos reduzidos no setor de transportes. Os moradores de Sobradinho, Planaltina, dos condomínios adjacentes e até do Lago Norte vão ter que esperar um pouco mais para dispor de tráfego mais tranqüilo e sistema de ônibus expresso. Isso porque as obras de implantação do corredor de transporte coletivo Norte, a reforma viária do Balão do Torto, e a ampliação da Ponte do Bragueto tiveram seus orçamentos emagrecidos em R$ 1,980 milhões.
Do outro lado do Distrito Federal a construção do polêmico túnel sob a área central de Taguatinga – que conta com verbas federais – e a implantação do corredor de Transporte Coletivo do denominado Eixo Oeste, perderam, juntos, R$ 1,205milhão.
Perdem recursos também o programa de construção de ciclovias e até mesmo a reforma da Estrada para o Aeroporto por onde passarão turistas e comitivas. Em números redondos, a obra da via de acesso ao aeroporto perdeu R$ 212 mil.
Perdem recursos também o programa de construção de ciclovias e até mesmo a reforma da Estrada para o Aeroporto por onde passarão turistas e comitivas. Em números redondos, a obra da via de acesso ao aeroporto perdeu R$ 212 mil.
Metrô
Quem também pago o pato com as obras do estádio é a Companhia do metrô de Brasília. Ela perdeu R$ 12.855.455,00. Dinheiro que estava previsto para ser alocado na ampliação da Linha 1 do metrô, tanto na ponta do Plano Piloto – a alardeada expansão até o Setor Comercial Norte – quanto nas pontas de Samambaia e de Ceilândia. Uma verba de R$ 241 mil reais destinada à compra de novos trens para o metrô virou dinheiro pro estádio. A companhia do Metrô, primeira responsável pela implantação do VLT em Brasília, tinha reservado R$ 1.433,915,00 para o transporte sobre trilhos. O dinheiro foi igualmente raspado. Em 2012, o VLT já teve retirado do seu orçamento R$ 12 milhões que foram repassados para reforçar o caixa da Novacap. Esta dieta orçamentária que faz emagrecer os recursos previstos para implantar um sistema mais moderno e eficiente de transporte na Capital Federal, demonstra o nível de compromisso que o atual governo tem com o projeto.
O GDF, em nota, alega que a transferência de recursos é transitória e que como não havia previsão de gastá-los no primeiro semestre de 2013, até o final do ano acontecerá a recomposição integral de seus valores.
Área Social
O aspirador de recursos do Estádio não escolhe alvo. Cultura, meio-ambiente, saneamento esporte, limpeza urbana, urbanização..., onde tem um centavo dando sopa, ele foi lá e raspou.
Embora não tenha contribuído a quantia de maior vulto, chama a atenção na engenharia orçamentária de Agnelo Queiroz, o repasse de R$ 259.241,00 do Fundo de Saúde do Distrito Federal, para as obras do estádio. O dinheiro deveria ser aplicado na construção de Unidade de Pronto Atendimento – UPA. Tradicionalmente, os recursos do Fundo de Saúde não podem ser utilizados em outro setor. A Lei que criou o Fundo de Saúde teve como objetivo exatamente evitar que verbas públicas fossem para um mesmo saco. Assim, o que é da Saúde, é da Saúde.
Os menores carentes da Capital Federal certamente não terão como ver nenhum dos jogos da Copa, mas já estão pagando a conta, com uma bagatela de R$ 1,836 milhão, que a Câmara Legislativa do DF aprovou como devendo ser investidos na construção de Unidade de Internação de crianças e adolescentes. As mamães, que gostariam de poder contar com creches para deixarem seus filhos, vão ter que esperar o estádio ficar pronto, pois Agnelo aprovou a transferência de R$ 8.608,00 do orçamento de creches da secretaria de Educação.
Moradia
O Distrito Federal possui um déficit de aproximadamente 330 mil moradias, pelos cálculos do próprio governo. Dentre as iniciativas dos Projetos Estruturantes do Distrito Federal – PEDF, programa menina dos olhos da Casa Civil, está a construção de moradias no Condomínio Sol Nascente, na Ceilândia, e em Mestre D'Armas e Arapoanga, em Planaltina. O PEDF vem sendo apresentado aos militantes do Partido dos Trabalhadores com as ações importantes do GDF. Pois bem, nem eles escaparam ao sorvedouro de recursos do estádio. Juntos, as três iniciativas de moradias populares, inseridas no programa Pró-Moradia, perderam R$ 5, 257 milhões. É dinheiro que daria pra fazer umas cem casas.
Em 2011, quando o estádio estava orçado em R$ 1 bilhão, o jornalista Cruz estimou que considerado o volume de jogos de futebol que acontecem em Brasília e a média de arrecadação dos jogos, seriam necessários 2 mil anos para arrecadar a verba necessária para repor o investimento ali realizado. O GDF alega que a "arena de Brasília" – mais uma vez eles fogem ao nome aprovado em lei, de Mané Garrincha -, abrigará todos os tipos de eventos, e não dependerá exclusivamente do futebol para atuar como instrumento de desenvolvimento econômico para a cidade. "O local será um grande centro de lazer cultural para os moradores da capital federal e para os turistas. Contará com dois grandes restaurantes, 14 lanchonetes, 40 bares, centros comerciais e atividades culturais, além de um museu do futebol" – diz o governo em nota.
Quem viver, verá!
Este e mais os dois textos abaixo demonstram a falta de responsabilidade do governo federal e seus aliados quando o assunto é dinheiro público. O presente texto foi publicado na internet em fevereiro de 2013, portanto, antes das manifestações contra os líderes petistas.
O movimento é sim contra o PT e aliados. Mas boa parte da mídia quer direcionar o movimento dos protestos à PEC 37 cujo foco passa ser o Congresso Nacional, tirando os olhares do Palácio do Planalto e do Primeiro Ministro Luís Inácio, responsáveis diretos pelos exorbitantes custos dos estádios de futebol para abrigar a Copa de 2014.
Teresina - Piauí/
Blog criado por torcedores com a finalidade de informar o futebol das regiões Norte e Nordeste. Principalmente o do estado do Piauí
Copa 2014: quem paga a conta? Texto anterior ao ano de 2011
Sílvio Torres
Quando o presidente Lula assinou, no primeiro semestre de 2007, o caderno de encargos que permitiu à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresentar a candidatura do Brasil a sede da Copa de 2014, o Estado brasileiro concordou com todas as exigências feitas pela Fifa (Federação Internacional de Futebol). Entre estas, garantir isenção tributária, de taxas e de impostos alfandegários, facilitação imigratória e direitos comerciais de exploração e proteção.
No nascedouro da candidatura, um discurso, recitado pelo presidente da CBF e ecoado pelo presidente Lula, assegurava que as obras de construção ou de reforma dos estádios seriam bancadas pela iniciativa privada. Que, além disso, poderia ser parceira em obras de infraestrutura. Discurso semelhante ao do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, formalizado após o Rio conquistar o direito de realizar o Pan de 2007. Que, como a Copa de 2014, não dependeria de aportes de verba pública.
Essa é uma história conhecida. Os Jogos do Rio custariam a módica quantia de R$ 400 milhões. A iniciativa privada bancaria as despesas. A sociedade herdaria um excepcional legado. Promessas vãs. O evento custou mais de R$ 4 bilhões. Os empresários do setor privado não meteram a mão no bolso. As contas foram pagas pelos governos federal, estadual e municipal. Ou seja, pela sociedade. E o legado dos Pan é uma peça de ficção. Dos pontos de vista social e esportivo.
Durante considerável período de tempo, cultivou-se a máxima de que a história só se repete como farsa. Não há muito, o presidente da CBF declarou que o governo terá de investir nas obras dos estádios. O presidente da CBF deu seu recado. Comunicou ao presidente da República que os gastos com o Mundial do Brasil serão suportados pelo governo. Porque sabe que os investidores privados não estão dispostos a arcar com um investimento bilionário de retorno duvidoso.
Escolhida sede da Copa de 2006, a Alemanha investiu na organização do evento desde 2000. A partir daquele ano, destinou 3,7 bilhões de euros para construção e renovação de ruas e estradas. Já o governo brasileiro não oficializou, até hoje, um comitê interministerial para gerenciar a organização do evento; não informa quanto gastará com a organização; e, para agravar a situação, o Orçamento de 2010, enviado recentemente ao Congresso, não dispõe de nenhuma rubrica referente a Copa de 2014.
A despeito de o governo federal não ter dado, ainda, qualquer publicidade sobre os gastos que realizará com a Copa de 2014, o BNDES já está de plantão para emprestar dinheiro público. Tendo retirado do forno, um mês depois de o presidente da CBF ter comunicado ao Palácio do Planalto que se não fosse tomada essa providência seria complexo realizar o Mundial, um generoso bolo, de R$ 3,6 bilhões, para emprestar a governos estaduais e municipais para construção e reforma de estádios. Dinheiro que, na África do Sul, bancaria a construção de todos os estádios.
A benevolente decisão do governo, que fere de morte a pregação de que utilizaria o orçamento da União em obras em aeroportos, transporte e segurança pública, estipulou, para estados e municípios, cotas de R$ 400 milhões por obra. Apesar da reviravolta do governo em matéria de comprometimento financeiro com a Copa, entre o dia de hoje e o início da Copa das Confederações, em 2013, dispõe o Brasil de menos de quatro anos para realizar a quase totalidade das obras indispensáveis para o Mundial. Obras estimadas em mais de R$ 100 bilhões, a preços de primeiro de junho, segundo estimativa do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco). Montante a ser gasto em mobilidade urbana, hospitalidade, segurança pública, energia, transportes, infraestrutura aeroportuária, acessibilidade, saneamento.
Para um país como o Brasil, que convive com gargalos e estrangulamentos bilionários em matéria de infraestrutura e logística, constitui combinação explosiva a resistência do governo federal a dar publicidade sobre quanto custará a Copa de 2014; a submissão em curto prazo ao comunicado do presidente da CBF de que dinheiro público é imprescindível para as obras dos estádios; e a reconhecida falta de capacidade de endividamento por parte das administrações estaduais e municipais.
Dessa combinação de incompatíveis elementos químicos, é previsível uma única reação. Em tudo semelhante à que ocorreu quando se constatou que o setor privado não bancaria a organização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Ao tomar posse, em janeiro de 2011, o novo presidente da República herdará mais um compromisso do governo Lula. Que poderá obrigá-lo a abrir as torneiras do cofre público para bancar a Copa de 2014. O tamanho da conta não sabemos. Mas é fundamental que, desde já, a sociedade brasileira se mobilize para evitar um novo festival de gastos públicos suspeitos ou desnecessários.
*Silvo Torres é deputado federal (PSDB-SP), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.
Fonte: jornal Estado de SP, 20/09
Fonte:
http://www.institutobrasilverdade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=4835&Itemid=44
Quando o presidente Lula assinou, no primeiro semestre de 2007, o caderno de encargos que permitiu à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresentar a candidatura do Brasil a sede da Copa de 2014, o Estado brasileiro concordou com todas as exigências feitas pela Fifa (Federação Internacional de Futebol). Entre estas, garantir isenção tributária, de taxas e de impostos alfandegários, facilitação imigratória e direitos comerciais de exploração e proteção.
No nascedouro da candidatura, um discurso, recitado pelo presidente da CBF e ecoado pelo presidente Lula, assegurava que as obras de construção ou de reforma dos estádios seriam bancadas pela iniciativa privada. Que, além disso, poderia ser parceira em obras de infraestrutura. Discurso semelhante ao do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, formalizado após o Rio conquistar o direito de realizar o Pan de 2007. Que, como a Copa de 2014, não dependeria de aportes de verba pública.
Essa é uma história conhecida. Os Jogos do Rio custariam a módica quantia de R$ 400 milhões. A iniciativa privada bancaria as despesas. A sociedade herdaria um excepcional legado. Promessas vãs. O evento custou mais de R$ 4 bilhões. Os empresários do setor privado não meteram a mão no bolso. As contas foram pagas pelos governos federal, estadual e municipal. Ou seja, pela sociedade. E o legado dos Pan é uma peça de ficção. Dos pontos de vista social e esportivo.
Durante considerável período de tempo, cultivou-se a máxima de que a história só se repete como farsa. Não há muito, o presidente da CBF declarou que o governo terá de investir nas obras dos estádios. O presidente da CBF deu seu recado. Comunicou ao presidente da República que os gastos com o Mundial do Brasil serão suportados pelo governo. Porque sabe que os investidores privados não estão dispostos a arcar com um investimento bilionário de retorno duvidoso.
Escolhida sede da Copa de 2006, a Alemanha investiu na organização do evento desde 2000. A partir daquele ano, destinou 3,7 bilhões de euros para construção e renovação de ruas e estradas. Já o governo brasileiro não oficializou, até hoje, um comitê interministerial para gerenciar a organização do evento; não informa quanto gastará com a organização; e, para agravar a situação, o Orçamento de 2010, enviado recentemente ao Congresso, não dispõe de nenhuma rubrica referente a Copa de 2014.
A despeito de o governo federal não ter dado, ainda, qualquer publicidade sobre os gastos que realizará com a Copa de 2014, o BNDES já está de plantão para emprestar dinheiro público. Tendo retirado do forno, um mês depois de o presidente da CBF ter comunicado ao Palácio do Planalto que se não fosse tomada essa providência seria complexo realizar o Mundial, um generoso bolo, de R$ 3,6 bilhões, para emprestar a governos estaduais e municipais para construção e reforma de estádios. Dinheiro que, na África do Sul, bancaria a construção de todos os estádios.
A benevolente decisão do governo, que fere de morte a pregação de que utilizaria o orçamento da União em obras em aeroportos, transporte e segurança pública, estipulou, para estados e municípios, cotas de R$ 400 milhões por obra. Apesar da reviravolta do governo em matéria de comprometimento financeiro com a Copa, entre o dia de hoje e o início da Copa das Confederações, em 2013, dispõe o Brasil de menos de quatro anos para realizar a quase totalidade das obras indispensáveis para o Mundial. Obras estimadas em mais de R$ 100 bilhões, a preços de primeiro de junho, segundo estimativa do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco). Montante a ser gasto em mobilidade urbana, hospitalidade, segurança pública, energia, transportes, infraestrutura aeroportuária, acessibilidade, saneamento.
Para um país como o Brasil, que convive com gargalos e estrangulamentos bilionários em matéria de infraestrutura e logística, constitui combinação explosiva a resistência do governo federal a dar publicidade sobre quanto custará a Copa de 2014; a submissão em curto prazo ao comunicado do presidente da CBF de que dinheiro público é imprescindível para as obras dos estádios; e a reconhecida falta de capacidade de endividamento por parte das administrações estaduais e municipais.
Dessa combinação de incompatíveis elementos químicos, é previsível uma única reação. Em tudo semelhante à que ocorreu quando se constatou que o setor privado não bancaria a organização dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Ao tomar posse, em janeiro de 2011, o novo presidente da República herdará mais um compromisso do governo Lula. Que poderá obrigá-lo a abrir as torneiras do cofre público para bancar a Copa de 2014. O tamanho da conta não sabemos. Mas é fundamental que, desde já, a sociedade brasileira se mobilize para evitar um novo festival de gastos públicos suspeitos ou desnecessários.
*Silvo Torres é deputado federal (PSDB-SP), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.
Fonte: jornal Estado de SP, 20/09
Fonte:
http://www.institutobrasilverdade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=4835&Itemid=44
Teresina - Piauí/
Blog criado por torcedores com a finalidade de informar o futebol das regiões Norte e Nordeste. Principalmente o do estado do Piauí
Publicado no Lancenet em junho de 2011...
Governo banca estádios da Copa
por janca em 16.jun.2011 às 13:05h
Nosso dinheirinho deve ser usado para pagar os estádios da Copa-2014. O governo federal, que antes tinha o discurso de que as arenas ficariam por conta da iniciativa privada e a infraestrutura, sim, por conta do setor público, resolveu agir diante do atraso das obras e já está em contato com Estados e municípios que receberão jogos do Mundial para ajudá-los financeiramente a construir ou reformar seus estádios.
Aquele papo de que o setor privado seria peça-chave, que empresas que colocariam dinheiro e financiariam as reformas para ter seus nomes associados aos estádios, está ficando para trás.
Projeto no Planalto sinaliza que o governo federal poderia pagar até 25% dos gastos com os estádios, menos para os particulares, caso das arenas de Corinthians, Internacional e Atlético-PR. A justificativa é que a iniciativa privada até agora mostrou pouco interesse e os governos estaduais e municipais estão sem recursos para bancar as obras, cujo orçamento sobe a cada dia.
Embora oficialmente o custo estimado para a reconstrução do Maracanã tenha sofrido pequena redução, ficando na casa dos 900 milhões de reais, para a União os gastos com o principal estádio do país devem superar 1 bilhão de reais e chegar a 1,1 bilhão de reais, conforme antecipado por este blog. Só para o Maraca, portanto, o governo federal daria uma ajuda superior a 250 milhões de reais.
A Fonte Nova, que seria reconstruída com cerca de 600 milhões de reais, terá seu orçamento reajustado e ele deve chegar aos 800 milhões de reais, 200 milhões dos quais seriam bancados pelo governo Dilma.
Para os estádios particulares, se não vai injetar dinheiro diretamente, o governo estuda fórmulas alternativas, como a encontrada pela Prefeitura de São Paulo. A Câmara Municipal de São Paulo deve aprovar projeto de lei dando isenção de mais de 400 milhões de reais em impostos para o Corinthians construir seu estádio.
Como a presidente da República quer manter em sigilo os orçamentos e os gastos federais, estaduais e municipais não só para a Copa de 2014, mas também para os Jogos de 2016, não poderemos ficar sabendo quanto será gasto com os dois eventos. O orçamento já estourou tantas e tantas vezes, como já havia acontecido com o Pan de 2007, que o governo acha melhor mantê-lo “escondido”. Os chamados órgãos de controle, como tribunais de contas, poderão ter acesso aos gastos e ao orçamento, mas jamais poderão divulgá-los.
Os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor estão de acordo com a iniciativa do PT. E já trabalham no Senado para a rápida aprovação da isenção de cobrança de Imposto Sobre Serviços à Fifa tanto para as operações ligadas à Copa das Confederações, em 2013, quanto para a Copa do Mundo, em 2014.
Piada de muito mau gosto. Ou melhor, antes fosse piada, antes fosse uma brincadeirinha. Não é. É coisa séria, é dinheiro público!!!
Teresina - Piauí/
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