Notaram como o noticiário nacional expõe em cores vivas e com a indignação de um terrível escândalo a violência homicida na capital paulista? Pois é. Sentem-se para não cair: em Fortaleza, proporcionalmente, mata-se cinco vezes mais que em São Paulo.
Em 2012, Fortaleza vivenciou o absurdo de 1.628 assassinatos. Enquanto isso, São Paulo (Capital) contabilizou 1.497 homicídios. Portanto, senhoras e senhores, são 131 mortos a mais em uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes contra os 10,8 milhões da maior metrópole brasileira.
São Paulo alcança uma média de 13 homicídios por 100 mil habitantes. O índice de Fortaleza supera a casa dos 60 homicídios por cada 100 mil habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a violência “epidêmica” quando é superada a taxa de 10 homicídios dolosos por cada 100 mil habitantes.
Portanto, se considerarmos esse padrão internacional, São Paulo está sim vivendo uma epidemia de homicídios. Então, como classificar o que ocorre em Fortaleza? Uma guerra civil não declarada entre as populações mais pobres?
Segundo o Mapa da Violência, em 2007, início do Governo de Cid Gomes, foram assassinadas 991 pessoas em Fortaleza. Os homicídios já alcançavam a absurda taxa de 40,3.
No final daquele ano, deu-se a implantação do Ronda do Quarteirão, o mais ambicioso programa de segurança já implantado no Ceará. De cara, um resultado positivo e alentador: em 2008, foram 888 homicídios (103 a menos) e a taxa caiu para 36,6.
Em pouco tempo, o Ronda ficou banal, virou paisagem urbana e os índices montaram um galopante cavalo. Em 2010, foram 1.125 assassinatos para uma escandalosa e triste taxa de 45,9 mortos por 100 mil habitantes.
De lá para cá, os números explodiram até chegar aos 1.628 assassinatos de 2012. Atentem: é quase o dobro de 2008. Significa que, em apenas quatro anos, deu-se um crescimento de aproximadamente 100% na quantidade e na taxa de homicídios.
Considerando seus objetivos, o Ronda está se revelando um monumental e caríssimo fracasso. Lamentavelmente. O que era para ser uma polícia cidadã, renovada nos costumes e integrada à comunidade, está no ar-condicionado dos carrões com tração que nunca precisam ser usadas.
Sabe-se do imenso esforço do governador em dotar o Ceará de uma política de segurança com respostas eficazes. Nunca nenhum outro Governo, em qualquer época, havia investido tanto em segurança pública. Mas, hoje, podemos perguntar: o investimento foi correto? Os índices respondem por si.
Vamos novamente ao caso de São Paulo. Segundo o Mapa da Violência, 6.764 pessoas foram assassinadas em 2000 com taxa de 64,8. Em 2010, o número caiu para 1.460, com taxa de 13,0 mortos por cem mil habitantes (notem a taxa é a mesma de 2012). Uma evolução muito positiva.
Em Fortaleza, deu-se o inverso. Tínhamos uma taxa de 28,2 (604 homicídios) em 2000 e chegamos a 45,9 (com 1.125 assassinatos) em 2010. Em 2012, a taxa será muito parecida com a que São Paulo tinha há 12 anos (superior a 60,0).
O que houve por lá de diferente daqui? O problema do crack é inerente às duas cidades. Portanto, não serve de explicação. São Paulo parece ter feito o óbvio: prendeu os homicidas, fez inquéritos bem feitos e a Justiça os colocou na cadeia.
A propósito: o Governo de SP acaba de adquirir 2.751 novas viaturas para a sua PM, entre carros e motos. Um investimento de R$ 91,5 milhões. O primeiro lote já foi entregue: 1.680 novos carros Fiat Pálio Weekend e 1.071 motocicletas Yamaha XTZ 250 Lander.