sábado, 5 de abril de 2014

Entrevista do novo treinador do Ríver/PI, Josué Teixeira


Recentemente o treinador Josué Teixeira saiu do São José do Maranhão e foi trabalhar no Macaé/RJ. Na sua primeira partida venceu o Bangu por 2 a 0.  Livrou a equipe do rebaixamento no campeonato carioca. 


Fonte vídeo: TV Cidade Verde/PI

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Evair defende-se sobre a perseguição sofrida por parte da imprensa do Piauí

O ex-jogador Evair  defendeu-se sobre uma possível perseguição sofrida no Piauí quando treinava o Ríver Atlético Clube. Quando técnico, a sua campanha foi de 2 vitórias, 5 empates e 1 derrota. 

Por conta desta campanha, o treinador foi demitido do Ríver do Piauí; na partida de despedida lá na cidade de Parnaíba, quando o clube tricolor de Teresina perdeu por 1 a 0 para o Parnahyba, houve bastante confusão (vídeo em outro post mais abaixo) fazendo com que o ex treinador perdesse o controle emocional.

Antes desse episódio, dava para sentir um clima de perseguição ao treinador. Comentava-se até do seu salário (R$ 35 mil). Um repórter esportivo chegou a perguntar que sua viagem a São Paulo não caracterizaria fuga devido aos insucessos obtidos até aquela oportunidade, ocasião em que o Evair respondeu que quem foge é bandido, ladrão e que estava indo a São Paulo visitar familiar doente. Semana seguinte a esta entrevista o treinador voltou de viagem e continuou o seu trabalho, mas a pressão por sua saída continuava principalmente depois desta resposta grosseira a uma pergunta provocativa.

Então  Evair voltou para São Paulo, deste vez, demitido e parte da imprensa tentou massacrar o ex-jogador, fazendo matérias provocativas e sequenciais a fim de escrachar mesmo o ex atacante do Palmeiras.

A resposta veio  ontem. Serve para parte da imprensa, a qual o ex-treinador, também tachou de amadora, aprender a trabalhar. O ex-treinador vem com trabalhos em Goiás e insucessos. Nem por isso houve essa total falta de respeito. 

Tem um detalhe. No PI, parte da imprensa ficou ferida em razão de o treinador ter chamado o futebol de amador, de várzea. Mas convenhamos. O Blog é feito basicamente por torcedores de Teresina. E podemos afirmar que ele não falou nenhuma inverdade. 

1-O Piauí Esporte Clube é o atual campeão do primeiro turno. A maioria dos seus jogadores são trabalhadores comuns. Trabalha e joga futebol. Só isso aqui já caracteriza amadorismo; só com jogadores amadores  conseguiu ser campeão;

2-O estádio Verdinho da cidade de Parnahyba nem vestiário possui; o estádio de Campo Maior servia como pasto para animais; puro capim;

3-Flamengo do PI não tem campo para treinar e vive buscando campos emprestados sem um mínimo de estrutura. Coisa de amador mesmo. Ao redor um verdadeiro matagal; as imagens estão soltas na internet; há alguns anos vendeu a sua sede social; parte da imprensa não sabia ou se sabia silenciou; um grupo de torcedores veio a publico pedir providências. Houve  intervenção, eleições com suspeitas de fraudes;

4-O treinador campeão pelo Piauí, Paulo Moroni, afirmou em dezembro passado que está no futebol do PI há mais de 10 anos e não via perspectivas de mudança devido ao enorme amadorismo de seus dirigentes; saiu para o Central de PE. Não se houve bem. Voltou para não ficar desempregado; é um excelente treinador;

5-Há 4 anos jogavam no estádio Albertão Comercial/PI e Sampaio, serie D. O goleiro comercialino atuava na partida sem condições médicas. Em off dentro do vestiário um jornalista provocou o presidente do Sampaio, Sérgio Frota, dizendo que o clube maranhense só venceu devido às condições clínicas do goleiro. Em resposta o Sérgio Frota disse que não tinha culpa de o futebol do PI ser amador;

6-A maior goleada de um campeonato brasileiro foi sofrida por um clube do Piauí, Corinthians 10 a 1 sobre o Tiradentes na década de 80; na década de 90 o Caiçara de Campo Maior foi jogar a Copa do Brasil e levou de 11 a 0 do Atlético Mineiro. Há 4 anos, o seu presidente, sendo entrevistado pela ESPN Brasil, antes da partida entre Flamengo do PI e Vasco pela Copa do Brasil, disse se orgulhar daquele resultado porque só assim o time dele estava sendo lembrando. O jornalista ficou espantado;

7-Praticamente todo os campeonatos da região Nordeste (exceção Bahia e Pernambuco, que são da Globo) foram vendidos para o canal Esporte Interativo NE, criado especialmente para o Nordeste. Semanalmente, todos os campeonatos têm seus jogos mostrados em canal fechado duas vezes por semana. O campeonato do PI só foi mostrado duas vezes desde janeiro para cá. Na partida entre Flamengo do PI e Cori-Sabbá, em janeiro ainda, e agora na decisão do primeiro turno entre as equipes do Parnahyba e Piauí, março. Somente só; possivelmente em razão do baixo nível técnico;

8-Nas séries D, já se viu o futebol de Rondônia mudar de fase, o de Tocantins, Acre Estados estes em que o futebol começou não faz muito tempo e supõe-se que não tenham as condições financeiras ideais para se fazer uma boa equipe. Nenhum clube do PI conseguiu tal feito;

9-Golear clube do PI não é muito difícil. Há vários vídeos na internet;

10-Dos 9 estados da região NE, no ranking da CBF a federação de futebol do PI é a última colocada devido a campanhas de seus filiados;

11-Há vários jogadores do estado com destaque em outros centros. Destes a grande maioria não passou por nenhuma base dos clubes locais. O próprio volante Rômulo que está no futebol da Rússia saiu direto para o futebol pernambucano. Somente os clubes Piauí e Fla/PI trabalham o futebol de base, mesmo que de forma precária;

Paremos por aqui. Só esclarecendo que este Blog foi criado para cobrar dos dirigentes e imprensa do PI, quando preciso. Não iremos esconder as mazelas como parte da imprensa esportiva esconde há décadas pensando que isso fosse beneficiar o futebol. Aliás, existe mais a amizade do que propriamente profissionalismo entre federação e imprensa. Nada contra, desde que não prejudique o que não é privado e sim do povão; Sem cobrança não há crescimento.

Segue abaixo áudio da rádio Antares de Teresina a respeito e a entrevista concedida pelo Evair ao UOL. Nesta entrevista não há desrespeito aos demais diretores do Ríver. Falou que sentiu falta deles naquele momento tumultuado.
Video streaming by Ustream


Evair relata ameaça de prisão, cusparada e tudo o que cercou sua demissão

Evair, ídolo palmeirense, está revoltado com o futebol do Piauí. Demitido após sua primeira derrota no Campeonato Estadual, o ex-atacante deixou o River com o sentimento de frustração e de impotência por não poder fazer nada para concretizar seus planos.
Pior do que isso, o ex-atleta afirma que chegou a ouvir ameaça de ser preso. Em entrevista ao UOL Esporte, ele explicou os detalhes da confusão que marcaram a sua demissão após a derrota do River por 2 a 1 diante do Parnahyba, pela primeira rodada do 2º turno, na última semana. Na primeira etapa do campeonato, o time ficou fora das semifinais pelo excesso de empate. Em sete jogos, foram cinco igualdades e apenas dois triunfos.
Apesar de todas as decepções e de chegar a se ver em uma situação de várzea, o artilheiro afirmou que seguirá firme no seu plano de continuar trabalhando como treinador de futebol.
Confira a entrevista de Evair ao UOL Esporte:
UOL Esporte:  Pudemos acompanhar pela imprensa do Piauí que você foi demitido depois de fazer gesto obsceno para a torcida e de armar uma confusão em campo. Qual a sua versão para o caso?
Evair:
 O gesto foi obsceno sim, mas não foi para a torcida. Eu fiz para o quarto árbitro. Todo meu xingamento foi direcionado à arbitragem. Nada contra a torcida. Aliás, foi um erro meu, eu não poderia ter feito esses gestos. A pessoa que menos tinha culpa era o juiz. Eu me arrependo. Na verdade, você deve ter mais ou menos visto e imaginado o que eu falei. Eu falei que ele deveria ser mais homem para poder apitar.
UOL Esporte: Mas você saiu brigado com o presidente ou com a diretoria?
Evair:
 Isso não teve nada, ele (presidente) foi sensacional comigo. Eles não me deram o apoio que eu precisava logo após o jogo. Não tinha nenhum diretor do River na hora do incidente. Porque cuspiram em mim antes da partida e cuspiram depois. Foi aí que aconteceu a confusão. Eu fui falar para o delegado da partida, que, aliás, já foi treinador do River... Você vê a minha situação. Ele foi treinador do River tempos atrás, cuspiram na gente e eles não fizeram nada. Nisso o policial tomou as dores e ele quis me prender.
UOL Esporte: Mas qual a alegação dele para te prender?
Evair: 
Ele falou que era para eu ficar no vestiário, se não eu ia ser preso. Eu poderia assistir à partida (da arquibancada). Mas o abuso da autoridade foi tanto que eu tive que ficar dentro do vestiário, sem poder sair. E depois vi o cara dando entrevista dizendo que eu causei tudo aquilo. A pessoa está lá para evitar a violência e quem estava mais querendo violência era ele. Agora, ele saiu como vítima. Infelizmente tive que passar por essa na vida e não pude responder. Gostaria de ter dado a entrevista lá. Gostaria de ter ido na delegacia dar queixa, mas não tinha ninguém da diretoria para ir comigo. Esses caras têm de prender ladrão. Aí acabaram me demitindo. A arbitragem lá é muito ruim e o que causou tudo isso foi a arbitragem. A Federação do Piauí não faz nada para evitar isso.
UOL Esporte: O que aconteceu exatamente com a arbitragem?
Evair:
 A arbitragem é muito ruim. No jogo anterior, eu já tinha sido expulso. Porque ele deu pênalti e voltou atrás e ninguém falou nada. A imprensa lá tem medo de falar as coisas, falar a verdade contra a federação. Chega uma hora que você reage. Imagina tomar cusparada na cara? Depois do jogo eu resolvi reagir. Queria ter 30 segundos com quem estava cuspindo em mim. Mas acho que seria pior, eu seria preso.

UOL Esporte: Os relatos que você passa parecem algo de futebol de várzea...
Evair: 
O delegado que foi treinador do River não fazia nada. A gente falava com ele e nada acontecia. Eu agradeço a Deus de não ter sido preso. Me colocaram no vestiário com ameaça de ser preso. Se saísse, seria preso. Ele falava que eu estava agitando a massa. Depois do jogo, vi o policial batendo a mão com os jogadores, sabe, batendo a mão no alto, comemorando? Hoje a gente dá risada, mas na hora...
UOL Esporte: Você já rodou muito pelo Brasil como jogador. Esse é o pior lugar que você já viu para jogar futebol?
Evair
: Não sei se é o pior. Mas agora eu sei o motivo de eles estarem onde estão. Se eles estão nesta maneira, não é por acaso. Na final do primeiro turno, teve um jogador que saiu e só faltou tomar pedrada. E a Federação do Piauí não fez nada. Mas a CBF fez. Na Copa do Brasil o campo está interditado. Nunca vi um campo tão ruim. Por isso que o Piauí está nesta situação no futebol brasileiro. O único time que tem condição de representar o Piaui é o River. Meu objetivo era trazer o River para a série C ou B do Brasileiro. Eu queria ter ficado dois anos lá.
UOL Esporte: Você se arrepende de ter ido para o Piauí?
Evair:
 Não me arrependo. Eu conheci pessoas maravilhosas. O presidente do River é uma excelente pessoa e tem projetos muito bons para o River. O que atrapalha é a Federação. É tudo contra o River. Ou eu tomo cusparada, enfio o rabo debaixo das pernas e vou embora ou reajo. Infelizmente tive que tomar essa atitude.
UOL Esporte: E o que você quer para o futuro?
Evair: 
Quero ser treinador. É um projeto de vida. Se for possível, se tiver oportunidade, a gente vai, sim, trabalhar com isso.

Fonte: http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2014/04/03/evair-relata-ameaca-de-prisao-cusparada-e-tudo-o-que-cercou-sua-demissao.htm

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Palavras de Evair: "Enfim, reagi a uma situação em que me senti prejudicado. Sequer tive a oportunidade de falar com a imprensa lá. Se eu falasse algo acho que eu estaria preso lá até hoje" "Ideias diferentes parecem não ser bem-vindas"

As citações acima são "palavras" do ex-treinador do Ríver, Evair. Foi publicado no Facebook. Para quem não conhece, ele resumiu o que é o futebol do Piauí, em especial. De fato, ideias diferentes não são bem vindas. 
No que toca ao futebol, precisa-se aprender de tudo. Alguma experiência que vem a incomodar, tacha-se como  "querer aparecer". Aí começam as perseguições. Há dois anos o Ríver contratou o treinador Marcão, ex-zagueiro do Fluminense do Rio. Este reclamou para a diretoria de que os jogadores não estavam tendo a alimentação ideal para um atleta, isso considerando as limitações financeiras do clube. Não demorou muito vazou na imprensa e o treinador foi demitido.


 Na verdade, seja na política, na imprensa ou no futebol existe um clima de coronelismo e de retrocesso. O próximo post será de um comentário de um narrador local sobre a venda da sede do Esporte Clube Flamengo. Ele chega a dizer que o torcedor precisa se preocupar é com o time dentro de campo, com títulos e não com sede. Observação: venderam o patrimônio do ECF há vários anos. Eles  não sabiam ou silenciaram. Se não fosse um grupo de torcedores ter alardeado, até hoje ninguém teria descoberto. 

Ora, será que os títulos importantes (ascenção numa série qualquer do Brasileirão) virão se o clube não tem um mínimo de estrutura? Um local para se treinar de forma profissional! Para acomodar os atletas e demais membros!  O áudio (rádio Antares de Teresina) será postado em breve. 



 Evair Paulino: 



 ESCLARECIMENTO: Então vou resumir o que ouve lá... Quando chegamos a Parnaíba para o jogo o clima estava hostil. Já sabíamos que seria uma guerra. Já na entrada em campo fomos obrigados a passar colados ao alambrado que nos separava da torcida e levei várias cusparadas. O jogo começo, naquele gramado horrível, na verdade um pasto e o adversário estava batendo muito em meus jogadores, de todas as formas... E a arbitragem nada fazia. Aliás, fazia sim, marcar várias "faltinhas" contra meu time, dando oportunidade para o adversário alçar bolas a área. Inclusive foi assim que saiu um gol deles. Fui reclamar de umas dessas faltas e o árbitro disse: "Não fale mais comigo senão te expulso." Respondi: "O senhor vai querer aparecer? Quer aparecer em cima de mim?" Ele me expulsou! Então me dirigi ao quarto árbitro e reclamei da expulsão... Claro, no momento de cabeça quente não tem como reclamar em voz baixa. Reclamei mesmo... Então eu disse: Para apitar o cara tem que ser homem! Tem que ter "aquilo roxo" e fiz o gesto, do qual me arrependo. Não deveria ter feito. Mas não foi para a torcida e sim para o quarto árbitro e na verdade ele nem merecia aquilo. Eu estava falando do árbitro. Devido ao tumulto que se formou a polícia veio em minha direção e um deles disse que eu tinha que sair de campo senão eu seria preso. Respondi que eles tinham que prender bandidos. Sou pai de família. Neste momento fui obrigado a ouvir coisas que é melhor eu nem publicar. Então, enquanto me dirigia ao vestiário o gandula deles me deu uma bolada nas costas... Isso fez o tumulto aumentar. Fui parar no vestiário e a polícia me deixou preso lá dentro. Sequer pude assistir ao segundo tempo do jogo. Enfim, reagi a uma situação em que me senti prejudicado. Sequer tive a oportunidade de falar com a imprensa lá. Se eu falasse algo acho que eu estaria preso lá até hoje. Queria até fazer um boletim de ocorrência, mas estava sozinho na cidade. Não havia nenhum diretor do River. O presidente do Parnaíba foi me pedir desculpas pelo que aconteceu lá, mas depois deu entrevistas falando um monte de besteiras sobre mim. Infelizmente, o River, que é o time que tem a melhor estrutura do estado, que poderia crescer, tem um ótimo presidente... É sempre prejudicado. No caso de Parnaíba, a Federação Piuiense não toma nenhum tipo de providência, fazem vistas grosas. Eles sequer podem jogar Copa do Brasil no estádio deles porque estão cumprindo suspensão da CBF. Fui demitido com apenas uma derrota (se bem que o time empatou muito... Foi mal.), mas na verdade o presidente teve que fazer isso porque com certeza eu seria punido por vários jogos e não poderia fazer meu trabalho. Eu já havia sido expulso de um outro jogo em que o árbitro apitou um pênalti ao nosso fazer e depois voltou atrás. Finalizo dizendo que é uma pena para um estado de pessoas tão boas, onde fiz bons amigos, de pessoas honestas como o presidente do River, ter uma Federação que não faz nada em situações como essas, quanto menos para a evolução do futebol no estado. Fui pra lá com a intenção de ficar dois anos e levar o time, quem sabe, para uma Série B. Mas não deu. Ideias diferentes parecem não ser bem-vindas. Segue a vida! Continuarei minha carreira de treinador e tenho certeza que estou aprendendo muito. As coisas nunca foram fáceis para mim, e não vai ser agora que vou encontrar facilidade.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Os Militares contam a sua história sobre 1964

Jornalismo da TV Brasil Central de Goiânia é censurado pelos comunistas

As questões debatidas no Fórum de São Paulo já estão em prática há muito tempo. Aos poucos o Brasil vai sendo consumindo. Por isso muitos pedem a volta dos militares. Não é a melhor alternativa, mas ditadura civil e corrupta talvez seja pior do que a ditadura dos militares. Esta seria uma alternativa temporária. Outro exemplo de ditadura...aconteceu esta semana na USP enquanto um professor de Direito Administrativo expunha a sua opinião a respeito da assunção dos militares em 64. ....chega de drogas, corrupção, violência...

Entenda por que as drogas se alastraram em nosso país... Brasil

Cocaína Vermelha – A Narcotização da América

Mensagem  Admin em Ter Mar 26, 2013 11:50 am
Red Cocaine – The Drugging of America
por Henrique Dmyterko em 11 de março de 2009
Midia@Mais
Análise – Resenhas
Red Cocaine: livro impactante, que aborda o uso das drogas na guerra ideológica
Dr. Joseph D. Douglass, Jr é consultor de assuntos de segurança, com 43 anos de experiência em políticas de defesa, tecnologia e de inteligência. Ele trabalhou para o governo americano como vice-diretor do Escritório de Tecnologia Tática da Agência de Projetos Avançados e também com vários prestadores de serviços de defesa baseados em Washington, DC. Serviu em vários conselhos de ciência e estudos de defesa e até 1990, foi consultor e assessor de várias agências governamentais americanas e de institutos sem fins lucrativos.
Recebeu seu bacharelado, mestrado e doutorado da Universidade Cornell. Lá ele lecionou e também na Escola de Pós-Graduação Naval e na escola de Relações Internacionais Johns Hopkins. Foi autor ou co-autor de vários livros e relatórios, alguns secretos. Dentre os acessíveis ao público estão: Soviet Strategy for Nuclear War (Hoover Institute), America, the Vulnerable: The Threat of Chemical and Biological Warfare (Lexington Books) e Communist Decision Making: An Inside View (Pergamon-Brassey’s).
Introdução
O leitor que se debruçar sobre Red Cocaine deverá se preparar de duas maneiras: redobrar a atenção para nomes e datas e certificar-se de que possui um estômago capaz de digerir um detalhadíssimo relatório sobre algumas das mais pérfidas e prolongadas ações perpetradas por regimes e indivíduos em toda a história. O estilo seco, quase monocórdio, de um autor acostumado a análises técnicas minuciosas, não consegue abafar a revolta que se revela através das repetidas menções aos objetivos dos agressores (os traficantes estatais comunistas) tanto quanto através da semi-perplexidade diante da inação e inépcia das autoridades americanas e ocidentais em geral. Red Cocaine traça o quadro geral, dá os antecedentes históricos, apresenta a evolução do planejamento estratégico de longo prazo chinês e soviético quanto ao uso das drogas como arma política e química contra os soldados e oficiais americanos, mas principalmente, contra a juventude americana a médio e longo prazos.
Ao contrário de tantos livros sobre teorias conspiratórias, Joseph D. Douglass, Jr. não apresenta teoria nenhuma, mas sim provas, documentos oficiais de vários países envolvidos, testemunhos de desertores e depoimentos de traficantes em processo de julgamento.
Douglass começa por alertar quanto a um modo de pensar já bastante enraizado, ou seja, de que de um lado haveria apenas os traficantes das Máfias “locais”, organizações inescrupulosas por natureza, e do outro, os usuários de drogas, sem levar em consideração outra possibilidade: a epidemia, ou pandemia das drogas ilegais, como resultado de estratégias de guerra política orquestradas por vários países comunistas contra o Ocidente em geral e contra os Estados Unidos em particular, em combinação com as organizações criminosas locais, com ou sem o conhecimento destas, especialmente quanto aosobjetivos estratégicos de longo prazo.
Em seguida, a guisa de introdução mais abrangente, o autor dá uma visão panorâmica dos acontecimentos então recentes, ou seja, as ações cubanas na América Latina, especialmente na Colômbia dos cartéis, já citando a atuação das FARC em conjunto com a política cubana de exportação de cocaína e de outras drogas para os EUA e com isso, o financiamento de ações de movimentos terroristas e revolucionários. O ano era 1989 e George H. W. Bush acabava de assumir a presidência quando decidiu por um plano de ajuda à Colômbia no combate ao tráfico de drogas. Ainda não era o Plano Colômbia, urdido por Bill Clinton e que só beneficiou as FARC em detrimento dos cartéis, como o de Medellín, p. ex. Mas a Colômbia já estava tão infiltrada e corrompida, que os esforços de Bush pai tiveram resultado quase nulo. Foi necessária a ascensão de Alvaro Uribe para que o quadro mudasse, mas isso está além do escopo temporal do livro. De todo modo, a coordenação cubana do tráfico de drogas na América Latina e desta para os EUA, já é um quarto estágio, ou degrau, na estratégia comunista de guerra política via drogas. Vamos às origens.
As Origens da Estratégia Comunista de Guerra Política Via Drogas
Foi a China comunista que primeiro percebeu o potencial da disseminação de drogas derivadas do ópio (morfina e heroína) como armas tão ou mais eficazes que fuzis ou morteiros. No início dos anos 1950, Mao Tse-tung e Chou En-lai se encarregaram pessoalmente de planejar o que viria a ser um grande esquema de tráfico de drogas,vendidas a preço baixo para os soldados americanos na Coréia, no Japão e em Okinawa. O Partido Comunista Japonês teve participação, tanto na coleta de informações repassadas aos comunistas chineses, como financeira, na forma de pagamento pelos “serviços”. Comentários sobre as operações ou a simples menção dos planos chineses era motivo para execução sumária, mesmo de generais, tamanho o grau de segredo que os comunistas chineses deram à execução de seus intentos. Os objetivos chineses eram basicamente os seguintes:
1. Com o dinheiro do tráfico, financiar atividades subversivas no exterior;2. Corromper e enfraquecer o moral dos povos do mundo livre;
3. Destruir o moral das tropas americanas que lutavam na Coréia (e depois, no Vietnã).
Outro detalhe importante do esquema chinês era a cooperação, ou coordenação de outros países sob sua esfera de influência. Isso trazia várias vantagens, sendo uma delas o fato de que isso desviava o foco de atenção da China para a Coréia do Norte ou para o Vietnã do Norte; outra vantagem era a ampliação dos campos de produção de ópio, ainda que os principais e melhores ficassem em território chinês. Tudo isso teria o efeito de confundir os serviços de inteligência americanos e de outros países do Ocidente. Houve também muito trabalho e cuidado no desenvolvimento de heroína da melhor qualidade, i.e., com maior poder de adicção. A droga era passada aos soldados americanos através dos conhecidos traficantes locais e deprostitutas aliciadas ou chantageadas. Prisioneiros de guerra americanos e sul-coreanos foram usados como cobaias para experimentos de drogas mais refinadas e potentes, além de testes de resistência física, quando se verificou que eram justamente os bem jovens os mais propensos às overdoses.
No caso da Indochina, os chineses tiveram como primeiro alvo as tropas francesas, e obtiveram grandes êxitos: o número de soldados franceses que abandonaram seus postos ou pediram baixa já como farrapos humanos, foi estarrecedor. Oficiais franceses, quando começaram a receber ajuda material americana, repassaram a seus colegas as informações que tinham sobre as drogas e o envolvimento chinês. Os oficiais americanos, ainda em pequeno número, repassaram relatórios alarmantes aos serviços de inteligência, mas nenhuma política efetiva de contenção ou enfrentamento jamais foi tomada.
Mas já antes do envolvimento americano na Indochina, outros já estavam muitíssimo bem informados das atividades chinesas, pelas quais demonstravam grande interesse e entusiasmo: as lideranças do PCUS – Partido Comunista da União Soviética. Após a morte de Stalin em 1953, foi possível uma reaproximação da URSS com a China, pois os interesses comuns e a afinidade ideológica eram absolutamente óbvios. Os soviéticos, especialmente Nikita Khruschev, estavam fascinados com as possibilidades da guerra política através das drogas. Numa reunião do Partido, questionado sobre a moralidade do uso de drogas como arma, Khruschev respondeu que qualquer coisa que causasse dano aos capitalistas e avançasse a revolução era moralmente justificado.
 Nikita Khruschev
Mas os soviéticos ainda precisavam aprender algumas coisas com os chineses, que se mostraram relutantes em cooperar plenamente. Sem maior cerimônia, os russos cooptaram agentes chineses ligados ao tráfico e passaram, a partir dali, a desenvolver seus próprios métodos, muito mais amplos e sofisticados. Todavia, é importante ressaltar que a estratégia soviética de guerra revolucionária é uma estratégia global, que envolvia desinformação, engodo e propaganda. A estratégia de narcotráfico soviética é um sub-componente dessa estratégia e é mais bem compreendida nesse contexto.
Tanto quanto a China fez uso de outros países, a URSS optou pela Tchecoslováquia para dar início ao seu plano de ampliação da guerra via drogas. Mais tarde, outros satélites soviéticos participariam das operações, especialmente a Bulgária, mas em meados dos anos 1950, a Tchecoslováquia era a mais bem equipada tecnicamente, além de ter a grande vantagem de manter boas relações comerciais e diplomáticas com vários países ocidentais, o que facilitaria a coleta de dados e o estabelecimento de redes de agente e colaboradores locais.
Para tornar a Tchecoslováquia um subordinado eficaz na guerra política via narcotráfico, os soviéticos transferiram a membros selecionados dos serviços de inteligência e do Partido tchecoslovaco, planos de cursos que instruíam sobre:
1. Natureza do comércio de drogas, tipos e qualidades;
2. Meios de produção;
3. Organização da produção;
4. Mercados e consumidores;
5. Segurança;
6. Infiltração nas redes de produção existentes;
7. Uso da experiência das redes de inteligência;
8. Comunicação no interior das organizações de tráfico;
9. Como transmitir informação;
10. Como recrutar fontes de inteligência.
O primeiro nível estratégico da guerra contra o Ocidente envolvia o engodo, a desinformação e a propaganda. O segundo nível pretendia a destruição do capitalismo com seu próprio dinheiro gasto em drogas. Quando do sucesso das duas primeiras etapas, viria então a terceira: o rolar dos tanques soviéticos sobre a Europa.
À medida que cresciam as operações de tráfico do bloco soviético, a organização tornou-se mais complexa, mas com o mesmo grau de segredo e compartimentalização (“saiba somente o que é necessário saber”) Muitos estavam envolvidos, mas poucos sabiam do propósito da operação ou nem mesmo da participação e coordenação soviética.
 Jan Sejna Richard Nixon 
Praticamente todos os dados apresentados no livro de Douglass acerca da guerra política dos soviéticos provêm da extraordinária memória de um homem: Jan Sejna, que desertou da Tchecoslováquia para os Estados Unidos em 1968. Mas o General Jan Sejna não era um desertor comum e muito menos uma fonte comum. Ele foi membro do Comitê Central do PC Tchecoslovaco, da Assembléia Nacional e do Presidium. Foi também membro da Administração Política Principal e membro do Departamento de Órgãos Administrativos e primeiro secretário do partido no Ministério da Defesa, onde também foi chefe do estado-maior. Sua posição mais importante foi a de secretário do poderoso Conselho de Defesa, que era o mais alto corpo decisório em questões de defesa, inteligência, política externa e economia. Sejna era um oficial e funcionário do mais alto escalão, com acesso a informações sobre planos e operações ultra-secretos. Ele se encontrava regularmente com os mais altos funcionários da União Soviética e de outros países comunistas. Mas Sejna parece não ter tido muita sorte na escolha do momento para desertar, pois foi muito mal recebido nos EUA, que já no primeiro mandato de Richard Nixon, não parecia querer ouvir nada que atrapalhasse a pretendida détente(distensão) com os países do Leste Europeu e com a China. Henry Kissinger veio a ter papel importante na negação das evidências e indícios coletados pela inteligência americana ou por aliados e corroborados por Sejna.
De qualquer maneira, muitos analistas e agentes de órgãos da inteligência americana o ouviram e lhe deram crédito. Se nenhuma ação eficaz foi empreendida no sentido de combater a política soviética e chinesa, é assunto que será analisado mais à frente.
Segundo Sejna, um dos objetivos de longo prazo do plano estratégico comunista era a destruição das religiões tradicionais: Cristianismo, Islã, Judaísmo e Budismo. Porém, nas etapas iniciais e intermediárias do plano, e especialmente na América Latina, os padres católicos deveriam ser cortejados e cooptados para a revolução ( o Boff otário caiu nessa – nota minha). De acordo com o General Sejna, as projeções soviéticas indicavam que 80% dos padres latino-americanos eram antiamericanos (dados de 1967), 60% tinham tendências políticas de esquerda e 65% (especialmente os padres mais jovens), usavam algum tipo de droga. Os soviéticos acreditavam que esses padres jovens teriam grande influência nos vinte anos seguintes e havia três razões para trabalhar com eles:
- para ajudar a avançar a revolução,
- para usar a Igreja Católica na distribuição de drogas e
- para usá-los na obtenção de informações adicionais acerca das redes de tráfico já existentes.
Cuba e o Narcoterrorismo na América Latina
A porção tchecoslovaca da operação soviética começou em 1960, em duas frentes: Ásia (Indonésia, Índia e Burma [Mianmar]) e América Latina (Cuba). Cuba tinha e tem especial relevância para o crescimento do fluxo de drogas ilegais para os Estados Unidos.
 Fidel e Raul Castro
Entre agosto e setembro de 1960, apenas um ano e meio após Fidel Castro ter tomado o poder, seu irmão Raúl Castro visitou a Tchecoslováquia em busca de assistência militar. Naquela época, Fidel e os soviéticos nutriam desconfiança mútua e foi este o motivo da aproximação via Tchecoslováquia. Sejna foi o responsável por receber a delegação cubana e atuar como anfitrião. Mas uma de suas primeiras ações foi arranjar um encontro com Khruschev. Logo após a visita, os soviéticos instruíram os tchecoslovacos a trabalhar com os cubanos, mas sem que estes soubessem do papel soviético. Muitos agentes da KGB se fizeram passar por assessores militares ou técnicos da Tchecoslováquia. O objetivo era duplo: não deixar que Fidel soubesse da infiltração e não levantar suspeitas entre os americanos.
Cuba e Tchecoslováquia logo fizeram um acordo de cooperação e assistência militar (treinamento e equipamento) e ajuda na organização dos serviços de inteligência e contra-inteligência cubanos. Mais da metade dos instrutores “tchecoslovacos” eram, na verdade, soviéticos.
Uma das principais tarefas era aumentar o potencial cubano na produção e distribuição de drogas para os Estados Unidos, especialmente via México e Canadá.
No México, a Tchecoslováquia já tinha desenvolvida uma excelente rede de agentes. Ao longo dos anos, o México se tornou a principal rota de entrada de narcóticos nos EUA, com a cumplicidade de autoridades locais corrompidas com o dinheiro das drogas, num círculo literalmente vicioso. Com o passar do tempo, cerca de trinta por cento de toda a droga que entrava nos EUA passou a ser através do México. O estabelecimento de redes de agentes no México e no restante da América Latina seguiu um mesmo padrão no mundo todo:
- corrupção por dinheiro,
- chantagem,
- dependência das drogas ou
- afinidade ideológica,
ressalvando-se que a URSS nunca aparecia, mas apenas seus subordinados, o que tornou Cuba uma peça chave na operação estratégica junto aos EUA.
DGI (Dirección General de Inteligencia) cubana acabou completamente subordinada à KGB entre o final de 1968 e o início de 1969, segundo o general Sejna. O entusiasmo de Fidel Castro pelo plano de narcotização da juventude americana era tão grande que os russos tiveram que refreá-lo, temendo uma exposição de seu próprio papel. Mais controlada, Cuba passou a ser, então, responsável pela coordenação do tráfico de drogas para os EUA, além de coordenar o apoio a grupos terroristas da América Latina. Fidel e Raúl Castro estão diretamente envolvidos nessa dupla coordenação. Além de Sejna, várias fontes (agentes do DGI que desertaram nos anos 1980, traficantes que receberam imunidade para testemunhar, etc.), confirmam o papel de Cuba, de Fidel e de Raúl Castro. Entre os países citados como componentes do esquema de produção ou de redes de agentes, estão: México, El Salvador, República Dominicana, Nicarágua, Panamá, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Brasil, Chile, Argentina, Peru, etc.
 Salvador Allende
A destruição dos filhos da “burguesia” através da drogas,especialmente os estudantes nas universidades e o financiamento e coordenação de movimentos antiamericanos ou revolucionários, era o objetivo principal, além da arrecadação de vultosos fundos para realimentar as ações de subversão. No Chile do início dos anos 1960, o então senador Salvador Allende era um entusiasta do plano cubano-soviético.
Nos EUA, especialmente durante a Guerra do Vietnã, parte do imenso volume do dinheiro das drogas foi utilizada no apoio a movimentos pacifistas, anti-guerra nuclear, etc., seguindo o mesmo padrão de infiltração e manipulação nos campi universitários, mas também na imprensa e TV. Foram as drogas, em oferta maciça, que alimentaram o clima de desencanto e a busca por mais drogas, e não a guerra. A mídia americana em geral, quer por ignorância, arrogância ou colaboracionismo, encarregou-se de disseminar justamente a versão mais conveniente aos planos comunistas. Além disso, qualquer pessoa que possua os mais elementares conhecimentos de economia sabe que é a oferta que cria a demanda, e não o contrário. Em outras palavras: já havia o consumo de drogas nos países alvo antes do início das operações soviéticas ou chinesas, mas estas ofertaram uma quantidade de drogas tão grande e a preços relativamente baixos, que o resultado não poderia ser outro que não a explosão do consumo e do número de dependentes, multiplicando os ganhos políticos e financeiros da guerra política via drogas
 Pablo Escobar
A Colômbia, México, Panamá, Bolívia e Peru merecem destaque, cada um por oferecer uma vantagem específica. Dentre estes, Colômbia, México e Pa namá viriam a desempenhar papéis-chave. Por sua enorme fronteira seca com os EUA, pela fragilidade do sistema político, que por sua vez tornava as autoridades judiciais e policiais alvos fáceis de chantagem ou de corrupção, o México tornou-se rota livre para as drogas e quase todas as ações de repressão ao tráfico, ou eram boicotadas e reveladas com antecedência, ou eram simplesmente de fachada. A Colômbia é outro capítulo especial, em função dos infames cartéis da droga (Medellín, Cali) e de nomes como Pablo Escobar. É importante notar que o plano cubano-soviético não fazia distinção quanto aos parceiros úteis: os cartéis não tinham nenhuma afinidade ideológica com os movimentos revolucionários ou com o comunismo, mas o lucrativo negócio das drogas exigia que fizessem política de boa vizinhança com os terroristas, (M-19 e depois as FARC), fornecendo-lhes armas em troca de proteção e informações, estas repassadas pelos soviéticos, via DGI. O mesmo pode ser dito da Máfia, na Europa ou nos EUA. Para os cartéis e para as máfias, era apenas uma forma de incrementar os negócios e para isso não precisavam nem queriam saber quem poderia estar fornecendo a inteligência de várias operações internacionais. Para os soviéticos, tal desinteresse era mais do que apenas conveniente.
 George H. W. Bush
Os primeiros passos da ajuda americana para a Colômbia foram dados em 1989, pelo presidente George H. W. Bush (Bush pai), com o envio de dinheiro e ajuda militar para o combate aos cartéis. Ainda não era o Plano Colômbia de Bill Clinton (que também só visava combater os cartéis e não os narcoterroristas). Mas isto escapa à análise contida na 1ª edição do livro, que pára em 1989.
O papel do Panamá é entendido melhor quando o autor, Joseph Douglass, Jr., analisa a passividade e a incompetência do governo americano no combate à estratégia soviética.
A Inação Americana
 Harry Anslinger
Já nos anos 1950, Harry Anslinger, Comissário do Governo dos Estados Unidos para Narcóticos trabalhava duro para convencer seus superiores de que a China comunista, e não a Máfia, era a força principal no tráfico de drogas: “O maior traficante é Pequim, e não a Máfia”. Anslinger forneceu ampla base de dados ao Congresso americano e também à ONU. Mas em 1962, o governo americano parou de dar atenção e publicidade ao assunto. Havia pessoas interessadas em cultivar boas relações com a China comunista. Portanto, talvez não seja coincidência que em 1961, ano em que Anslinger se aposentou, o pessoal pró-China bandeou-se para o Departamento de Estado (que é a burocracia que de fato executa a política externa americana).
O autor de Red Cocaine fez uso extremamente hábil de um exemplo célebre para ilustrar tanto as inexplicáveis ações da burocracia americana como para demonstrar a validade das avaliações apresentadas pelo General Sejna, que havia desertado em 1968.
Em 1969, o presidente Richard Nixon declarou guerra às drogas. Uma das primeiras ações foi a de identificar as fontes do problema. Num desses esforços, analistas da CIA começaram a examinar o tráfico que emanava do Sudeste da Ásia. A partir de uma enorme quantidade de detalhes coletados de variadas fontes, foi desenhado o mapa da região denominada “Golden Triangle”, considerada a principal fonte de drogas. O triângulo incluía partes da Tailândia, Burma (Mianmar), Laos, e especialmente a província de Yunan, na China comunista. O triângulo está apresentado em linha cheia na figura mais adiante. Essa avaliação é idêntica àquela apresentada por Sejna, esta baseada em estudos da inteligência tchecoslovaca e soviética.
Triângulo das drogas na fronteira chinesa: exemplo de manipulação para evitar um conflito com os comunistas
Em 1970, o mapa foi repassado para o Bureau de Narcóticos e Drogas Perigosas, antecessor da DEA (Drug Enforcement Agency). Meses depois, uma nova versão do mapa emergiu da Casa Branca. O “novo” triângulo agora era aquele representado pela linha descontínua. De uma penada, a China comunista saiu do Golden Triangle. À época, o funcionário encarregado de presidir o Comitê de Narcóticos era Henry Kissinger, mas este raramente aparecia nas reuniões e demonstrava pouquíssimo interesse pelo assunto. O General Alexander Haignormalmente presidia as reuniões e se esforçava para abafar os esforços daqueles que tentavam combater o comércio de heroína.
 General Alexander Haig
Quando o Departamento de Defesa começou a usar aviões de reconhecimento para identificar campos de plantação de papoula na região, Kissinger determinou a interrupção dos vôos, para que estes não ameaçassem a política de détente (distensão) com a China.
Segundo o autor, análises independentes indicam que, apesar da boa vontade de vários presidentes americanos, a começar por Nixon, o combate ao tráfico de drogas foi minado desde dentro, pela burocracia e por funcionários do alto escalão. O problema das drogas foi usado para erguer um império de poder e influência dentro da administração, provocar uma avalanche de manchetes manipuladas na mídia e fornecer as justificativas para a organização de uma política nacional antidrogas orientada a partir da Casa Branca, que na verdade, seria usada para objetivos políticos internos. Houve ordens expressas para que cessassem todas as manifestações e relatórios que mencionassem a China comunista como envolvida no tráfico de drogas. Além disso, segundo Douglass, funcionários de alto escalão já tinham um histórico de fazer uso do problema das drogas para ganhos políticos pessoais.
Um outro exemplo de clamorosa estupidez, dificuldade de comunicação ou de escandalosa má-fé fornecido pelo autor de Red Cocaine é o episódio da deserção do coronel da inteligência búlgara, Stefan Sverdlov, em 1970, quando ele trouxe documentos do governo búlgaro que comprovavam o envolvimento deste no tráfico internacional de drogas. A CIA confirmou a Bulgária como novo centro de distribuição de drogas e armas. E, no entanto, um outro departamento do governo americano mandou funcionários a Sofia, capital da Bulgária, para estabelecer cooperação aduaneira no combate ao tráfico de drogas! Somente em 1981 os americanos chegaram à conclusão de que a cooperação búlgara não era lá muito eficaz. Mas pior do que isso é que o treinamento americano em técnicas de identificação de narcóticos se estendeu à China e também a países do Leste Europeu.
Os Bancos, Lavagem de Dinheiro e Outros Interesses Escusos
 
Durante o breve escândalo búlgaro, a revista Forbes publicou matéria revelando que a lavagem do dinheiro do tráfico da Bulgária era facilitada pelos bancos suíços Credit Suisse e UBS. Absolutamente nenhuma medida de ordem prática foi tomada contra esses bancos. E é neste ponto que o livro parece revelar outro tom, sem perder a linha analítica: é o tom da indignação mal disfarçada, da frustração e do desalento diante do avanço literalmente incontido das drogas nos Estados Unidos e no Ocidente em geral. Douglass deixa claro que não havia como ignorar a imensidão de dados levantados pelas próprias agências do governo, especialmente pela NSA e por alguns setores daCIA e da DEA.
 Enrique “Kiki” Camarena
Ele faz questão de frisar que havia gente trabalhando sério no combate ao tráfico, ao ponto de serem torturados e assassinados – tal como o agente da DEA, Enrique “Kiki” Camarena, assassinado no México por policiais corruptos, sem que ninguém fosse punido –, mas que dentro dessas mesmas agências e nos Departamento de Estado e do Tesouro havia um muro de resistência a qualquer investigação ou ação mais direta quanto à lavagem de dinheiro e rastreamento de recursos financeiros que saíam ou entravam nos EUA. E os valores são altíssimos: no início dos anos 1980, estimava-se que cidadãos americanos gastavam entre US$ 80 bilhões e US$110 bilhões por ano com drogas ilegais. No final da década, esses valores chegavam a US$300 bilhões, enquanto os gastos mundiais chegavam a US$500 bilhões. Algumas estimativas apontavam o valor de US$ 1 trilhão. O autor ressalta que há uma lei americana que ‘obriga’ os bancos a relatar saques e depósitos superiores a dez mil dólares. Muitas instituições financeiras foram investigadas e acusadas de operações de lavagem de dinheiro. Um banco foi acusado de cometer dezessete mil violações da lei federal de transações em espécie. Mas houve pouquíssimos indiciamentos ou aplicações de multas pesadas. Tampouco foi dada muita publicidade ao assunto. Mas o autor, ironicamente, ressalta: não há negócio no mundo que gire US$ 500 bilhões ao ano e que não tenha a ativa e bem informada assistência de bancos e instituições financeiras.
Ramon Milian Rodriguez  John Kerry Alphonse D’Amato
Ramon Milian Rodriguez, um dos responsáveis pela lavagem e investimentos dos recursos do Cartel de Medellín, foi preso nos EUA em maio de 1983. Em 1988, diante de uma Comissão do Congresso, relatou aos senadores John Kerry (Democrata) e Alphonse D’Amato(Republicano) de que forma, com a assistência das Forças de Defesa do Panamá, ele transferiu enormes quantias através dos bancos do Panamá, já então um paraíso fiscal criado com o beneplácito do governo e dos bancos americanos, e como era cortejado pelos bancos de Nova York. Segundo Rodriguez, “os bancos de Nova York não são bobos… o tempo todo sabiam com quem estavam lidando”.
     
Os bancos apontados por Rodriguez compunham uma espécie de “quem é quem” das altas finanças dos Estados Unidos:
CitibankBank of America e First National Bank of Boston. Já a rede de TV ABC identificou o Citibank, o Marine Midland (de propriedade de banqueiros chineses de Hong Kong e do grupo HSBC), o Chase Manhattan (dos Rockefeller JP Morgan?) e o Irving Trust, além da maioria dos 250 bancos e sucursais de bancos estrangeiros em Miami como envolvidos na lavagem de dinheiro das drogas.
Além da lavagem de dinheiro, esses bancos americanos, acrescidos de instituições financeiras do Japão, Grã-Bretanha, Alemanha Ocidental, Itália, França e Suíça fizeram vultosos empréstimos a países doTerceiro Mundo produtores de ópio ou coca e também a países do bloco soviético, que por sua vez, coordenavam o tráfico. Encorajar exatamente esse tipo de transações comerciais e financeiras foi um dos principais objetivos políticos sob Lenin, Stalin, Khruschev, Brezhnev e, é claro, Gorbachev. Mas encorajar tal atividade tem sido também um dos maiores objetivos da política externa americana desde 1969. O que o livro não consegue esclarecer é se os bancos e grandes empresas é que encorajam essa política do Departamento de Estado ou é este que incentiva a aqueles.
 Anatoliy Golitsyn  Ian Pacepa
Outro padrão verificado por Douglass é o do péssimo tratamento dispensado a desertores de alto-escalão do bloco soviético por parte de setores da CIA, Departamento de Estado e imprensa. O que aconteceu com o General Sejna, que foi desprezado, achincalhado, humilhado e caluniado, não foi muito diferente daquilo que aconteceu ao estrategista e analista da KGB, Anatoliy Golitsyn e ao general romeno Ian Mihain Pacepa. Além de desacreditá-los sem razão aparente, veiculando aquilo que os soviéticos mesmos diziam a respeito desses “vilões desertores”, grande parte dos serviços de inteligência dos EUA parecia não ter a menor idéia da importância das informações estratégicas que tais homens lhes forneciam.
 Dr. Jeffrey Eisenach
O autor coloca em dúvida a possibilidade de que tanta hostilidade a quem trazia informações vitais para a segurança e o futuro dos EUA, somada às estranhas políticas de inteligência e de relações exteriores americanas, seja mera coincidência. Um relatório do Departamento de Estado, de setembro de 1988, declarava: “Acreditamos que nossa estratégia internacional… esteja funcionado”. Douglass ironiza: “Se está funcionado, é forçoso perguntar: para quem?”. Mais enfático ainda foi o Dr. Jeffrey Eisenach, da Heritage Foundation: “[No futuro] a política americana quanto às drogas permanecerá o que é hoje: uma gigantesca negação de responsabilidade”.
O Crack e as “Designer Drugs”: Violência Urbana, Drogas Sintéticas de Alta Potência e o Futuro
O autor faz um breve relato sobre aparecimento do crack nos EUA no início dos anos 1980 e de sua rápida disseminação pelo mundo, incluindo o Brasil [o crack é um potente derivado de uma forma de pasta de coca, chamada de base livre, liberada quando fumada]. Seu poder de “adicção” [do inglês addiction], ou viciador, é multiplicado e há casos de dependentes a partir da primeira vez que fizeram uso da droga.
Ao contrário da cocaína, o crack é uma droga barata, vendida em regiões pobres dos grandes centros urbanos. Nos EUA, imigrantes jamaicanos, haitianos e negros americanos, dominam ou disputam o controle da venda, mas também do consumo. Nas palavras do especialista americano M.M. Kirsch, o marketing do crack “é direcionado aos jovens e ignorantes”. Além disso, o crack está associado a comportamento violento. O grande número de assassinatos em disputas de traficantes, ou de viciados, em função de pequenas dívidas com os traficantes é dado comum aos EUA e ao Brasil, p.ex. O que o autor parece querer deixar claro é que a estratégia de longo prazo das drogas, do ponto de vista comunista, não se restringe aos danos às classes médias e altas, às “elites”, mas procura destruir o tecido social inteiro dos países alvo. Nos EUA, uma grande conflagração social e étnica via guerra de gangues já é vista em capítulos diários. No Brasil, a situação não envolve origens étnicas, mas a violência resultante do tráfico do crack é igual ou maior. Para aqueles que apreciam algum grafismo na linguagem, a estratégia comunista é destruir a pirâmide social dos países alvo minando a base e corroendo o topo.
Já nos caso das drogas sintéticas modernas, isto é, pós anos 1960, os objetivos eram de obter drogas de altíssima potência e de dificílima detecção, quer em buscas ou em exames toxicológicos. Um resultado secundário dessa alta potência é a multiplicação dos lucros. Em números aproximados, um “investimento” de US$2 mil em heroína pura renderia algo próximo a US$ 1 milhão nas ruas. O mesmo investimento de US$2 mil em produtos químicos e equipamentos renderiam um quilo de 3-metil fentanil [3 mil vezes mais forte do que a morfina] aproximadamente US$1 bilhão nas ruas.
Também notável, segundo Douglass, é a facilidade que os traficantes têm na obtenção de produtos químicos produzidos por grandes empresas; produtos que poderiam ser facilmente controlados pelas agências americanas, européias e japonesas. A pergunta que ele faz é simples: por que não o são?
Quanto ao futuro, o autor demonstra um misto de desalento, considerando a total ineficácia e pura politicagem da maioria das ações governamentais americanas no combate às drogas, e esperança. Esta última vem de algumas relativamente recentes iniciativas de divulgação das origens do problema através da mídia. O que ele pensa ser imprescindível é tirar a população da letargia, ou seja, que essa deixe de acreditar nas declarações perfunctórias acerca da “guerra às drogas” e comece a cobrar resultados. Mas para isso é preciso informação, é preciso saber quais são os inimigos de verdade. Não é possível lutar contra fantasmas.
Nesse sentido, Red Cocaine presta um enorme serviço: informa, prova, esclarece e indica caminhos. Mas se um relatório técnico, minucioso ao ponto de fazer referências cruzadas entre capítulos, detalhista e riquíssimo em citações e fontes de referência, pode ser também um poderoso grito de alerta, então seu nome é Red Cocaine.
Red Cocaine: The Drugging of America* [Cocaína Vermelha: A Narcotização da América]**
Autor: Joseph D. Douglass, Jr.
Editora: (1ª edição), Clarion House, Atlanta, 1990. 280 páginas 2ª edição), Edward Harle, 1999.
* O título da segunda edição é: Red Cocaine: The Drugging of America and the West
** O título em português é meramente ilustrativo. Não há edição brasileira.
Fonte: Portal Mídia@Mais Seu espaço de análise e opinião na web!

Fonte: www.homemculto.com

domingo, 30 de março de 2014

E a perseguição a Evair parece continuar...ou então falta de assunto do Globo Esporte PI

Veja link abaixo de uma reportagem de sábado, 29/03/2014. Nenhum outro treinador que passou pelo futebol do PI (nem mesmo o polêmico Celso Teixeira) foi tão lembrado.

Chega-se  a se pensar em perseguição uma vez que o técnico desentendeu-se, após um pergunta provocativa,  com um repórter da emissora afiliada à Rede Globo no PI.


"De dócil a fera: Frases de Evair têm promessas e farpas; confira seleção"


http://globoesporte.globo.com/pi/noticia/2014/03/de-docil-fera-frases-de-evair-tem-promessas-e-farpas-confira-selecao.html