O discurso de instabilidade emocional dentro da seleção brasileira não colou para o técnico Josué Teixeira. Atualmente no comando da equipe do River-PI, que vai iniciar a disputa da Série D do Campeonato Brasileiro, o treinador acredita que o discurso e a postura de Luiz Felipe Scolari não passam de uma desculpa para justificar o possível fracasso do time, que enfrenta a Colômbia pelas quartas de final nesta sexta-feira, às 17 horas, na Arena Castelão.
Na avaliação de Josué Teixeira, o culpado para essa situação toda é o velho e conhecido “jeitinho brasileiro”. Dessa vez, segundo ele, o de arrumar uma desculpa para se justificar. As reações dos jogadores após a vitória contra o Chile nos pênaltis nas oitavas de final, para Josué, trouxeram a desconfiança de volta.
- Hoje já temos uma desculpa pronta: o emocional. Mas lembro que no início da preparação, quando a psicóloga chegou à seleção brasileira, o Felipão disse que o psicólogo era ele. Ele chamou a responsabilidade de trabalhar o emocional do seu atleta e não conseguiu – analisa Josué.
O arrependimento de Felipão na convocação de um jogador está entre as declarações mais comentadas e contestadas. No Piauí, Josué Teixeira faz uma análise mais crítica sobre a pressão que sofre a Seleção. Vendo contradições entre o discurso e as ações tomadas no ambiente de treinamento, o técnico carioca interpreta que se busca encontrar uma desculpa caso o Brasil seja derrotado pela Colômbia.
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- Não sei se o problema da seleção é psicológico, emocional. Até acho que não. Na verdade, é uma bandeira já levantada em caso de algum fracasso. Porque uma equipe que está com o emocional abalado não é para ficar fazendo propaganda, andando de bicicleta ou curtindo uma folga. Então, acho que no Brasil sempre se tem a mania de buscar justificativa para uma derrota ao invés de assumir o que está acontecendo – revela.
Josué Teixeira chama atenção que a desculpa do descontrole emocional já foi utilizado em outro momento, na Copa de 2010, na África do Sul. Com as últimas posturas de Felipão, Josué vê até mesmo o técnico da seleção brasileira com receio de uma desclassificação.
- Em 2010 também tivemos outro fracasso. As justificativas eram que o Dunga não tinha um equilíbrio. Ele cobrava isso, ele brigava, os jogadores dele em campo não tinham controle emocional. Essa desculpa do descontrole emocional já foi. Você teve quatro anos para trabalhar isso. Na minha leitura, a troca de Mano Menezes por Felipão foi uma forma de tirar a responsabilidade da direção da CBF, que estava sendo mudada na época. Se desse errado com o Mano Menezes, a responsabilidade era da direção da CBF. Se der errado agora com o Felipão, a responsabilidade é toda do Felipão. E o próprio Felipão já sentiu isso ao chamar jornalistas para uma confidência. Isso demonstra que nem ele está preparado para encarar o fracasso – avalia Josué Teixeira.
Globo Esporte
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