terça-feira, 20 de maio de 2014

Federação de futebol do Piauí: tiro no pé.

Entre 1997 e 2003 foi realizada a Copa do Nordeste na região com grande sucesso de público. Pressionada pela maioria dos grandes clubes do país como Flamengo, Vasco, São Paulo, Corinthians e cia, preocupados com o crescimento dos clubes da região NE e consequentemente com o apoio que estes clubes ganhariam, tirando o foco dos grandes  do sudeste (patrocinadores), a CBF resolveu extinguir a competição.

Percebendo o prejuízo que seria a extinção da competição, foi criada uma liga sem a participação dos estados do Piauí e Maranhão. O objetivo era fazer retornar o rentável torneio regional. Então a Liga do Nordeste ingressou com uma ação contra a Confederação Brasileira de Futebol. Ganhou a ação e  no primeiro semestre de 2013 a Copa do Nordeste voltou a ser realizada.

Percebendo o sucesso da competição, os estados do Piauí e Maranhão, até então vinculados à região Norte no mapa de competições da CBF, resolveram lutar para conquistar o seu espaço. Recentemente a Confederação reconheceu esses direitos e garantiu que em 2015 abrirá 2 vagas para cada estado.

Mas ainda não há certeza sobre essas vagas. A pressão dos 07 estados da região Nordeste contra a entrada de PI e MA ainda deixa dúvida. Na última sexta-feira  no programa Resenha Esportiva da TV Esporte Interativo  Nordeste, canal responsável por transmitir o Nordestão, o apresentador informou que até o momento somente o campeão de PI e MA tem vaga garantida na competição do próximo ano.

Veja o objetivo da Liga do Nordeste: criar a competição para fortalecer os clubes da região. E fortalecimento significa trazer o torcedor para perto dos clubes locais, afastando o foco dos clubes da região sudeste. E o marketing esportivo que foi criado busca exatamente este objetivo, tanto é que também foi criado um canal fechado para exibir apenas as atividades dos clubes de toda a região.

Ocorre que na contra-mão de tudo isso, a federação de futebol do Piauí vem mantendo contatos com a CBF com a finalidade de atrair "grandes" jogos das séries A e B para dentro do estado. Isso significa fortalecer o hábito  do torcedor que foi levado a torcer para clubes de fora do estado em razão da deficiência do futebol local. 

O grande número de torcedores de Vasco, Flamengo, Corinthians e cia se mostra exatamente nos lugares em que o futebol ainda não decolou seja na capital ou interior. Este é o público alvo da grande imprensa do sul/sudeste. 

Nas grandes capitais nordestinas o que se vê é uma luta contra os torcedores mistos (aqueles que torcem por clubes do sudeste e sul). Principalmente contra o torcedor do interior "sem clube" que migra para os grandes eventos que ocorrem nas capitais do NE. A tendência é que o torcedor da capital a cada dia mais, com o fortalecimento da Copa do NE, afaste-se dos grandes clubes como Vasco e Flamengo e cia, deixando este papel para aqueles vindo do interior da região e que não têm opção local, na cidade. Mas o marketing esportiva da Copa do NE também visualiza este torcedor (o do interior).

Por isso talvez não seja uma boa atentar contra os fundamentos que nortearam a criação da Liga do Nordeste e consequentemente a Copa do Nordeste sob pena de se estar dando um tiro no próprio pé. Vasco e Sampaio, no Albertão em Teresina, depois, Flamengo e Figueirense, depois Flamengo e Cruzeiro atentam contra o objetivo maior da Liga do Nordeste. 

E se a federação de futebol do PI quer dar este presente aos desportistas locais, que fortaleça cada vez mais o futebol para que Ríver, Flamengo do PI, Piauí sejam os protagonistas dos jogos contra os grandes do país. Chamar a atenção do resto do Brasil alugando o torcedor é nadar contra a maré, contra o marketing esportivo da Liga do NE. Está aí o motivo pelo qual se rejeitou a entrada do Clube de Regatas Flamengo nas edições da Copa do Nordeste. 




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