sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Esporte Interativo e o futebol do Piauí

O Esporte Interativo Nordeste parecer ter desistido de transmitir as partidas do campeonato do Piauí, pelo menos neste momento, apesar de continuar fazendo as chamadas da competição e mostrar reportagens com o dia a dia dos clubes do estado.

Amanhã jogam Ríver e Flamengo às 18 h no estádio Lindolfo Monteiro. Este é o maior clássico do estado. Mesmo assim a TV EI não demonstrou interesse em transmitir o confronto. 

Ao contrário do que acontece com o futebol piauiense, os outros campeonatos estaduais da região nordeste estão sendo transmitidos. 

De acordo com a grade programação da tv, nesta semana serão mostrados jogos do campeonato paraibano, alagoano, sergipano, potiguar e maranhense. A tv não detém os direitos de transmissão dos campeonatos cearense, pernambucano e baiano.

Esse desinteresse da tv é fruto de desmandos e omissões ocorridos ao longo de anos no futebol local. Desmandos porque os grandes clubes da capital, como Ríver, Flamengo e Piauí, vem sofrendo com os desfazimento de seus patrimônios sob a justificativa de arrecadar recursos para o pagamento de dívidas trabalhistas.

Ocorre é que esses clubes têm um estatuto composto por um conselho fiscal para averiguar se as ações do presidente são honestas. 

O certo é que o patrimônio do Esporte Clube Flamengo foi vendido por completo, conforme noticiou a imprensa esportiva local de Teresina.

Veio a público depois que um grupo de torcedores fez a denúncia inicialmente nas redes sociais. Hoje os  jogadores do rubro-negro piauiense vivem treinando em campos alugados, sem estrutura, beirando ao amadorismo mesmo.

Não arrecada na parte social porque não têm o que oferecer. Não consegue arrecadar nos jogos pois grande parte dos torcedores do ECF já entenderam, apesar de tardiamente, que não há uma boa gestão no clube. 

São os mesmos dirigentes há décadas. Ou seja, o ECF tende a ser um clube eternamente caseiro, semi-amador, sem perspectiva de crescimento a nível nacional. 

O maior rival dos rubro-negros é o Ríver Atlético Clube. A maior parte de sua diretoria é formada por políticos (dois senadores). Possui 27 títulos estaduais e nenhum título nacional ou mesmo alguma ascensão a uma série do campeonato brasileiro. Por aí dá para perceber que o foco não é ser  destaque nacional. As questões políticas estão acima de tudo.

Há 3 ou 4 anos também se desfez do seu valioso patrimônio cujo valor a imprensa local divulgou em torno de R$ 13 milhões. No final de dezembro de 2013 entrou nos cofres do clube cerca de R$ 600 mil reais provenientes da Caixa Econômica Federal. 

Neste início de ano, lidera o campeonato do estado, mas cabe ao torcedor ficar atento para o interesse puramente eleitoreiro. Não é que este interesse tenha que ser afastado do futebol, mas no PI o torcedor é o que menos importa.

Aliado a tudo isso, o Estado do Piauí possui uma imprensa esportiva omissa, sem reciclagem, fraca. Não cobram dos clubes. Muitos são amigos dos presidentes.

Não é de hoje que muitos torcedores tentam fazer  críticas nos programas esportivas de algumas rádios e são pressionados a resumir a indignação. Já se ouviu caso de torcedor ser tirado do ar sob a justificativa de ter caída a ligação.

De 2 anos para cá, falam muito que o futebol local está evoluindo. Na prática não é verdade. Basta ver as pífias participações dos clubes não competições promovidas pela CBF. 

O nível técnico continua o mesmo tanto que o treinador Paulo Moroni concedeu uma entrevista a uma emissora local dizendo que milita no futebol local há mais de 10 anos e que  não via evolução, o que lhe levou a ter escolhido o Central de Caruaru/PE para treinar. 

A imprensa esportiva continua não cobrando sob o argumento de não querer conturbar. E isso já se vai desde vários anos. Desta forma o futebol continua patinando.

A falta de interesse da tv, talvez por não ter gostado do nível técnico de Flamengo do PI e Cori-Sabbá, partida válida pela primeira rodada, e transmitida em canal fechado, é consequência de todo esse histórico relatado acima. 

E o que esperar? No momento, talvez, nada. A imprensa local continua "vendendo" que o futebol do PI é bom, está evoluindo, que irá participar da Copa do Nordeste em 2015 (mesmo o regulamento da competição no seu artigo 11º não dando a certeza) e a mesmice continua, perpetua-se ao longo dos tempos. E o mais prejudicado é o torcedor.

Enquanto isso, os dirigentes  não mudam. Vendem patrimônio, não registram no balanço patrimonial e poucos cobram deles. Este é o eterno futebol do Piauí.

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