terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Delegada questiona confissão em SP: 'Por que não se apresentou aqui?'

Antes da reportagem abaixo é preciso lembrar um detalhe. Nem a Fox Sports e nem a TV Globo têm interesse em nenhum tipo de punição que possa ser aplicada ao Corinthians. Que se dane a vida de quer quem seja. É assim que funciona. 
No domingo passado, o Esporte Espetacular da Rede Globo exibiu uma matéria mostrando o tamanho do prejuízo que o time paulista iria sofrer caso os seus jogos da Libertadores fossem feitos com portões fechados. Ali se via claramente a intenção da tv. No mesmo dia o Fantástico tratou de mostrar uma outra reportagem em que um adolescente de 17 anos dizia que iria se entregar por ter atirado o sinalizador e atingido o garoto-vitima boliviano. Não estaria havendo uma armação?  Quem matou foi logo um menor?  Os interesses financeiros valem mais do que uma vida?




Integrante da Gaviões da Fiel, um menor de 17 anos se apresentou como responsável pela morte do jovem Kevin Beltrán Espada, torcedor do San José, nesta segunda-feira. Abigail Saba, delegada encarregada da investigação em Oruro, questiona a confissão do jovem brasileiro e avisa que ela não terá qualquer tipo de influência.



"O fato aconteceu no Departamento (equivalente ao Estado) de Oruro, e a investigação deve ser conduzida aqui, não em outro lugar", afirmou a delegada à agência Gazeta Press, salientando que não foi informada oficialmente sobre a confissão do garoto em São Paulo. "É um fato isolado e não tem nada a ver com a investigação que está sendo conduzida aqui", completou.




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Ricardo Cabral, advogado da Gaviões da Fiel e do menor que se apresentou como responsável por disparar o sinalizador que atingiu Kevin, acreditava que a confissão permitiria a libertação dos 12 corintianos que estão detidos em Oruro, possibilidade descartada por Saba.




"A investigação foi aberta contra 12 brasileiros que estavam no estádio. Nós atuamos e investigamos baseado em todos os elementos encontrados na cena do crime. Esse fato não aconteceu no Brasil. Então o que vão investigar as autoridades do Brasil?", questionou a delegada.




A apresentação de um menor de idade como responsável pela morte do torcedor do San José, promovida pelo advogado da principal torcida organizada do Corinthians, levantou suspeitas. Para Abigail Saba, a situação provoca uma série de questionamentos.




"Surgem várias interrogações. Por que ele não se apresentou á justiça boliviana? Por que se apresentou só agora? Quem o ajudou a sair do país? Quem facilitou e cooperou com isso? Como ele saiu do país? Como menor de idade, não acho que atuou sozinho", declarou Saba.




Os interessados em contribuir com a investigação devem se apresentar na cidade boliviana, diz a advogada. "Se alguém conhece elementos desse fato lamentável, que culminou com a morte de um garoto, precisa se colocar à disposição do Ministério Público do Departamento de Oruro", afirmou.




De acordo com Saba, há um vídeo que leva a crer que o responsável por disparar o sinalizador que atingiu Kevin é Hugo Nonato, um dos 12 corintianos detidos em Oruro. "Qual versão se sustenta? Identificam um, identificam outro. Isso nos faz ter dúvidas quanto à credibilidade dos indiciados brasileiros", comentou.




Advogado justifica apresentação




Ricardo Cabral, advogado da Gaviões da Fiel e do menor que se apresentou como responsável pela morte de Kevin Beltrán Espada, justificou a confissão do garoto apenas em São Paulo.




"Em um primeiro momento, ele não se apresentou na Bolívia por sentir medo. Em um segundo, por se tratar de um menor brasileiro, muito embora com autorização dos seus pais para viajar", declarou Cabral.




Além disso, era necessário consultar os parentes do garoto, disse o advogado. "Entendíamos que não seria prudente ele, sob responsabilidade da torcida organizada, entregar-se na Bolívia. Era uma decisão para ser tomada em conjunto com a família."

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